O samba como movimento político: conferência cantada

Texto de Luca Argel de apoio ao debate “O samba como movimento político: conferência cantada”, que terá lugar no Fórum Socialismo 2019, no domingo, 1 de setembro, às 14h30, no Porto.

30 de agosto 2019 - 15:37
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Fotografia: Reprodução/Karilayn Areias
Fotografia: Reprodução/Karilayn Areias

O samba surge na história como resposta a um projeto civilizatório excludente. Este processo, que consiste na violenta perseguição, marginalização e aniquilação de identidades coletivas, vem sendo levado a cabo desde o início da colonização do Brasil, e persiste até os dias atuais, tendo assumido diversas faces e estratégias ao longo da história. Sem sombra de dúvida, o elemento mais importante deste processo, o que mais influenciou a definição dos traços culturais brasileiros, foi a escravatura.

A sua abolição, em 1888, nem de longe significou o fim do racismo, pelo contrário. Foi precisamente por causa do racismo entranhado na sociedade e nas instituições do país, que as consequências e heranças do período escravocrata no Brasil pós-abolição não foram enfrentadas com espírito de justiça, mas antes com a preocupação em manter as desigualdades e privilégios históricos.

É nesse cenário que emerge o samba, não apenas como gênero musical, mas como um vasto complexo cultural atravessado por saberes e práticas capazes de articular comunidades locais e recriar laços de identidade e pertencimento que haviam sido destroçados pela escravatura.

Mesmo após mais de um século de história, o samba ainda conserva sua força mobilizadora dentro e fora de suas comunidades originais, além de funcionar como repositório da memória coletiva do país. Da sua trajetória ainda podemos tirar lições valiosas para a atuação política.

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