Está aqui

Deepwater Horizon, o maior desastre ambiental dos EUA

A explosão duma plataforma petrolífera da BP no Golfo do México provocou o maior desastre ambiental da história dos EUA e levantou a questão da falta de segurança e respeito pela legislação ambiental por parte desta multinacional do petróleo.
Explosão da plataforma Deepwater Horizon. Foto da United States Coast Guard, wikimedia commons

No dia 20 de Abril, a plataforma petrolífera , resultando na morte de onze pessoas e num derrame de petróleo de dimensões nunca vistas. Com a BP a não conseguir estancar o derrame, as consequências para o golfo do México e as zonas costeiras de vários estados norte-americanos agravaram-se. Só ao fim de três meses é que a empresa conseguiu tapar o derrame, mas já tinham sido libertados para a água o equivalente a cerca de 5 milhões de barris de crude.

A investigação à responsabilidade pela explosão da plataforma aponta o dedo à multinacional britânica e foi também divulgada a troca de correspondência interna que demonstra o conhecimento sobre o risco de segurança naquele local e o facto dos alarmes de segurança estarem desligados na altura da explosão. Por outro lado, a impreparação da BP para responder ao desastre e minimizar os danos ambientais ficou evidente para todo o mundo.

Os danos a longo prazo para o ecossistema de toda aquela região do Golfo do México estão ainda por calcular em toda a sua extensão. Na foz do Mississipi, o efeito do derrame e dos dispersantes utilizados para combater as manchas de crude transformaram toda a área num "cemitério de microfauna", segundo as amostras recolhidas por cientistas.

O processo de indemnizações às populações afectadas também está a ser alvo de críticas por falta de transparência. Os reclamantes dizem ser alvo da pressão da BP para um acordo em troca de muito pouco e que os inibe de processar a empresa nos tribunais. Do fundo de 20 mil milhões de dólares criado pela BP por exigência de Barack Obama, a firma de advogados que dirige os processos de acordo e indemnização espera devolver 14 mil milhões à empresa e pagar apenas 6 mil milhões em indemnizações.

(...)

Resto dossier

O Mundo em 2010

Em época de balanço do ano, relembramos aqui alguns dos factos que marcaram o mundo em 2010. Começando pela catástrofe que arrasou o Haiti em Janeiro, e concluindo com a primeira grande derrota eleitoral de Barack Obama.

Haiti: o terramoto e a herança colonial da pobreza

Um terramoto como o que atingiu a capital do Haiti teria causado enormes danos em qualquer cidade do mundo. Mas a amplitude da catástrofe resultou de uma herança directa do mais brutal sistema de exploração colonial da história.

Deepwater Horizon, o maior desastre ambiental dos EUA

A explosão duma plataforma petrolífera da BP no Golfo do México provocou o maior desastre ambiental da história dos EUA e levantou a questão da falta de segurança e respeito pela legislação ambiental por parte desta multinacional do petróleo.

A crise das dívidas soberanas

Como um castelo de cartas, a crise começou pela Grécia, alastrou à Irlanda, e prepara-se para apanhar Portugal. A banca e os seus agentes querem utilizar esta Grande Recessão para conseguir debilitar o estado de bem-estar, reduzir a dimensão social da Europa e reduzir os direitos sociais e laborais.

Solidários com Gaza sob fogo israelita

A “Flotilha da Liberdade” juntou ONG internacionais numa viagem por mar com ajuda humanitária para a faixa de Gaza, denunciando o bloqueio israelita. O exército assaltou os barcos e matou 9 activistas.

Barack Obama anuncia oficialmente o fim da Guerra do Iraque

Mas 50 mil soldados norte-americanos continuam num país devastado, com uma taxa de desemprego de 25% a 50%, doenças epidémicas sem controlo e 53% da população urbana a viver em bairros de lata.

Cuba anuncia reformas económicas

O anúncio veio em Setembro, pela voz da central sindical: a “actualização do modelo económico” de Cuba vai levar ao despedimento de um milhão de funcionários públicos e ao fim do subsídio de desemprego. Fidel e Raul Castro vão apostar na dinamização do sector privado, esperando que este absorva quem deixe de trabalhar para o Estado.

Derrota dos democratas nas eleições dos EUA

Republicanos obtêm a maior vitória de um só partido desde 1948 na Câmara de Representantes. Democratas mantêm maioria no Senado e viram à direita depois das eleições, dando assim razão ao Tea Party.

O ano das greves gerais

O ano que se encerra foi marcado por uma combatividade sem precedentes. Nenhum dos problemas foi solucionado, o que parece ser o prenúncio de confrontos ainda maiores no próximo período.