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BP não consegue travar derrame no Golfo do México

O maior desastre ecológico da história dos Estados Unidos não tem fim à vista e a dimensão do derrame de petróleo calcula-se entre os 75 e os 160 milhões de litros.
Graffitti alusivo ao derrame de petróleo da plataforma da BP. Foto tsand/Flickr

A agência France Presse noticiou que a proibição da pesca no golfo do México foi alargada em mais de 2600 quilómetros quadrados, à medida que a mancha de crude alastra. São já 160 mil quilómetros quadrados de zona afectada, o que equivale aproximadamente ao território da Tunísia.

As tentativas da multinacional do petróleo para conter o derrame e tapar a fuga não têm tido sucesso ao fim de seis semanas e em consequência disso as acções da BP entraram em queda livre, chegando a cair mais de 15% na bolsa de Londres esta terça-feira.

A explosão de 20 de Abril matou as onze pessoas que se encontravam na plataforma e desde então a fuga de petróleo não parou. Mas em 2008, a companhia assegurou à entidade sob tutela do Departamento do Interior norte-americano que seria capaz de controlar um derrame 10 vezes maior que o actual, dando como exemplo uma plataforma próxima da Deepwater Horizon.

Agora, são os próprios lóbis das petrolíferas a prever que o fim do derrame não acontecerá até Agosto. Larry Goldstein, do Energy Policy Research Foundation, afirmou ao New York Times que "isso quer dizer que o petróleo será derramado no Golfo, nas zonas húmidas e no nosso estilo de vida ao ritmo de 15 a 20 mil barris por dia".

Por seu lado, o ecologista Phillipe Cousteau - neto do célebre divulgador da vida marinha, Jacques Cousteau - explicou numa entrevista a Bill Maher o que realmente está em causa na Louisiana. "Eu podia cortar a minha perna, o meu braço, ou tirar um olho. Provavelmente sobrevivia, mas não muito bem… e é isto que estamos a fazer ao oceano. E ele é o sistema de apoio à vida neste planeta". "Temos vindo a polui-lo e a destrui-lo, ou seja, na prática estamos a mutilar-nos… A questão já não é a de sabermos se os oceanos aguentam mais. Os oceanos não aguentam mais. Já não aguentavam mais há 50 anos. A questão é 'quando é que vamos parar com isto?'", concluiu Phillipe Cousteau. 

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