Como tornar os Transportes Públicos gratuitos?

Texto de Heitor de Sousa de apoio ao debate “Como tornar os Transportes Públicos gratuitos?”, que terá lugar no Fórum Socialismo 2019, no sábado, 31 de agosto, às 11h45, no Porto.

30 de agosto 2019 - 15:37
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Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

1. Transportes gratuitos: Raridade ou Necessidade?

Raridade?

a) Quantas cidades/regiões há no mundo com TP gratuitos?

TOTAL de regiões/cidades identificadas: 145

b) Transportes gratuitos: exemplos

- Exemplo 1 - Changning City / Hunan (810.000 res.)

- Exemplo 2 – Talin / Estónia (450.000 res.)

- Exemplo 3 – Melbourne / Austrália (664.000 res.)

- Exemplo 4 – Dunderque (70.000 res.)

- Exemplo 5 – Aubagne/Marselha Este (100.000 res.)

c) Diferenças entre os exemplos apresentados

CONCLUSÃO: há muitos modos de ver…

Necessidade?

d) Resulta da Situação de Emergência Climática que vivemos.

i) Prioridade às políticas de descarbonização da economia em especial nos transportes. Porquê?

ii) Calcula-se que 25% das emissões de GEE tenham origem no setor dos transportes, em especial no transporte rodoviário

e) Urgente adotar políticas de transporte que respondam:

1) Às necessidades crescentes de mobilidade das pessoas e das mercadorias;

2) A uma estratégia de substituição do Transporte Individual/Privado pelo Transporte Público Coletivo

3) À prioridade de Transportes públicos mais amigos do ambiente, ou seja, ao transporte ferroviário.

2 PART – Antecâmara da gratuitidade

2.1. Lições do PART

1. Efeitos visíveis

- Redução brutal de preços:

> entre 50% a 70% nas maiores distâncias;

> entre 10% e 25% nas distâncias mais curtas

> 0% nos bilhetes em cada viagem.

- Aumento da Procura:

> Em março, Governo previa +10%

> Em junho, o aumento acumulado de 3 meses na AML, aponta para +31%;

> Em julho, entrou em vigor o passe-família  família com 3 ou mais pessoas só pagam o equivalente a 2 passes sociais (80€ ou 60€) -> efeito de aumento da procura será maior a partir de setembro.

- Problemas:

> Desigualdade no acesso entre territórios, entre Áreas Metropolitanas e as CIMs contíguas – Ex: preços completamente díspares para acesso aos TP para distâncias semelhantes;

> Não definição de uma política de preços comum para todo o território nacional - Continente e Regiões Autónomas

> Desigualdade no acesso aos Transportes Públicos dentro das Áreas Metropolitanas e fora das mesmas – o modo ferroviário está excluído do PART fora das AMs e o modo rodoviário não tem a mesma abordagem em cada CIM divergindo entre CIMs, mesmo contíguas.

- CIMAL (Alentejo Litoral) decide, a partir de setembro, passe de 40€ na Rodoviária do Alentejo para acesso à AML, Alentejo Central e Algarve (-73%)

> Sobrelotação dos veículos porque não houve investimento atempado nas frotas

> Total ausência de planeamento dos investimentos

> Programa funciona como triunfo eleitoral do Governo PS

2.2. Reforçar o Investimento Público em Transportes como instrumento privilegiado de uma estratégia de mobilidade:

i) para a neutralidade carbónica em 2040 em Portugal;

ii) para a transferência modal nas AMs de:

> 25% de viagens pendulares em TI para TC até 2030;

> 50% de viagens pendulares em TI para TC até 2040.

- Um bom Planeamento é Condição para execução desta política

3. Estratégia de Ação para a Tarifa ZERO nos TP

3.1. Para 2020:

  • - Estender o PART a todo o território nacional e a todos os modos de transporte, nomeadamente ferroviários;

  • - Preços máximos de 40€ para todos os passes intermodais entre CIMs ou CIMs-AMs;

  • - Estender a gratuitidade dos TP até aos 18 anos / escolaridade obrigatória

  • - Criar um bilhete único intermodal em cada AM, CIM ou AM-CIM ou CIM-CIM com validade horaria até limite de 2h = 2€.

  • - Aprovar um Plano Ferroviário Nacional e aprovar um PNI2030 compatível

  • - Aprovar novos Planos de Mobilidade Metropolitanos, Regionais ou Locais e planos de investimento de médio prazo em novas redes de transporte e/ou de reforço e modernização das frotas de TP, garantindo-se prioridade total aos TPs na circulação urbana, aumento da fiabilidade e regularidade do TP e acessibilidade total aos veículos para pessoas com mobilidade condicionada.

  • - Reforçar a capacidade de manutenção e reparação de material circulante ferroviário por parte dos vários operadores de transporte a nível nacional (CP, EMEF) ou a nível regional e metropolitano (Metro do Porto, Metro de Lisboa, EMEF, CP).

  • - Criar entidades públicas para o planeamento e a gestão operacional coordenada da oferta de sistemas públicos de mobilidade e sistemas de bilhética integrados ao nível metropolitano, regional, sub-regional ou intermunicipal.

    • Carris Metropolitana na AML;

    • Empresa Metropolitana de Transportes do AMP;

    • Empresas Regionais ou Intermunicipais de Transporte nas Regiões, CIMs ou entre Municípios.

 

3.2. Para 2021:

  • - Aumentar para 50% a política de descontos na tarifa dos passes sociais:

    • Sub24;

    • Idosos: + 65 anos.

  • - Iniciar a aplicação do Plano Ferroviário Nacional, com incidência maior nos investimentos prioritários da 1ª Fase – PFN 2030;

  • - Instalar NOVAS capacidades de construção e modernização de material circulante ferroviário para cumprir o Plano Ferroviário Nacional e Planos de Mobilidade metropolitanos e regionais (Metro do Mondego, Metro do Sul do Tejo, Metropolitano de Superfície do Algarve, etc).

  • - Reforçar capacidade de construção/montagem de veículos de Transporte Rodoviários elétricos ou híbridos ou, no limite, cumprindo a Norma Euro 6 de Emissões.

  • - Aplicação dos Planos de Mobilidade e de Investimento em TP.

 

3.3 Para 2022:

  • - Avaliar a execução das políticas de mobilidade e de investimento nos Transportes Públicos e seus impactes na alteração do perfil da mobilidade visando a redução das emissões de GEE.

  • - Aprovar novas medidas de continuação das novas políticas de mobilidade para o país e para cada região.

  • - Monitorização da aplicação dos Planos de Mobilidade Metropolitanos, Regionais ou sub-regionais e de Investimentos públicos

  • - Aprovar a Gratuitidade nos Passes Sociais no OE2023 para os residentes nas Áreas Metropolitanas:

    • AML e AMP;

    • Nas áreas ou grandes regiões urbanas onde tal for decidido pelos órgãos autárquicos ou regionais.

 

3.4. Para 2023:

  • - Sistemas de planeamento operacional e de gestão da mobilidade coletiva que assegure:

    • Aumento da eficiência da Gestão de redes de transporte em tempo real, com informação sobre a aproximação de veículos às paragens e intervalos de passagem;

    • > integração tarifária entre os modos de transporte;

    • > promoção da intermodalidade no TP;

    • articulação horária e modal entre os vários modos de transporte existentes em cada território, cidade e região.

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