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Afirmar a escola como bem público

Para António Nóvoa , a afirmação da escola como bem público é mesmo uma questão essencial no debate das políticas de esquerda para a educação. Nóvoa “prometeu” não falar dos professores, assunto sobre o qual dedicou muitos anos de investigação, mas destacou a necessidade de evoluirmos do conceito de “escola”, para o conceito de “espaço público de educação”.Neste sentido defendeu a ideia de que “a escola não pode fazer tudo”, “deve ser apenas uma das instituições do espaço público de educação”.

No conceito defendido pelo professor destacou-se a necessidade de reforço do espaço público de educação, “um novo contrato educativo”. Nóvoa afirmou ainda que a escola hoje sofre com o excesso de missões, estando “pouco direccionadas para as tarefas educativas que lhe dizem respeito” “à escola o que é da escola, à sociedade o que é a da sociedade”.

Ana Drago destacou que todo o colóquio parecia ser em torno de questões fundamentais e que a educação também deveria reflectir nestes termos. Convidando os ouvintes a reflectir sobre a escola, suas crises, e os seus sucessos, a deputado do Bloco de Esquerda afirmou que, mais uma vez, a questão fundamental no debate sobre educação voltava a centrar-se na questão do “para que e para quem”: “A escola serve para que? Para quem?” questionou a deputada.

Para a deputada 3 ideais fundamentais fixas, advindas da retórica que se instalou na implementação de políticas públicas, são as principais dificuldades enfrentadas pela esquerda na construção de políticas para educação. Uma primeira, ligada ao ideal de “mais escola, mais democracia, mais tempo lectivo,mais currículo”, que levou aos excessos curriculares que dominam amplamente as actuais orientações de políticas para educação. A segunda ideia assenta na crença de que uma maior diversificação de oferta permite mais igualdade, o que gerou, segundo a deputada, o nefasto efeito da dualização da oferta pública de ensino. Por fim a ideia de que mais avaliação traria mais democracia, mais transparência, que na prática revelou-se como limitadoras da própria escola.

Na última parte da sua intervenção Ana Drago questionou: “Para que e para quem? Que escola? Quem entra no espaço escolar? Quem manda na escola?”, e lembrou alguns temas polémicos como o das cameras de vigilância e a constituição de verdadeiras “escolas fortaleza” que, ao invés de incluir, segregam. A deputado do Bloco de Esquerda apontou ainda 3 caminhos: (1) Trabalhar sobre a diversidade, tendo em vista que a massificação não respondeu aos anseios da sociedade; (2) A multiplicação dos actores (mais profissionais e mais pessoas, questionando ainda quem entra no espaço escolar); e, por fim, (3) Mais experimentação social (novos modelos de gestão, de pedagogia) mais inovação dentro do espaço escolar, da gestão, na autonomia, nas técnicas pedagógicas.

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Resto dossier

Colóquio "O que fará um Governo de Esquerda Socialista?"

A 27 e 28 de Fevereiro de 2010, a Cultra promoveu um colóquio sobre o tema "O que fará um Governo de Esquerda Socialista?", com painéis sobre diversas áreas. Neste dossier, incluimos os artigos que a equipa do esquerda.net fez sobre os diversos painéis do colóquio.

"É preciso salvar o SNS"

No painel sobre política de saúde do colóquio "o que fará um governo de esquerda socialista", João Semedo apresentou propostas e Isabel do Carmo comentou.

“É preciso um corte com a cultura da guerra fria do pensamento”

Na última sessão do colóquio organizado pela Cultra com o tema “O que fará um governo de esquerda socialista?” o tema foi a política externa e de defesa. A apresentação ficou a cargo do deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza, seguida de comentários do general Pezarat Correia.

Afirmar a escola como bem público

Para a última sessão da tarde do Domingo a Cultra escolheu o tema da educação e convidou o professor António Nóvoa. A deputada Ana Drago comentou a apresentação que destacou a necessidade da a afirmação da escola como bem público.

“O contrário de igualdade não é a diferença, é a desigualdade”

No 7.º painel do colóquio do CULTRA, Virgínia Ferreira explicou o que são políticas de Igualdade. Manuela Tavares comentou, concluindo que um governo de esquerda socialista precisa de movimento feminista.

Ambiente e desenvolvimento rural em debate

No segundo dia do colóquio da Cultra, Francisco Ferreira e Fernando Oliveira Baptista falaram das políticas de um governo da esquerda socialista em áreas como a energia, a agricultura e as pescas.

“Será que uma série de condomínios de luxo são cidades?”

O geógrafo Mário Vale foi o orador no painel sobre o que fará um governo da esquerda socialista “Na política das cidades e ordenamento territorial”.

Estratégia para criar emprego

No colóquio "o que fará um governo de esquerda socialista", no painel sobre política económica e de finanças Francisco Louçã apresentou propostas (ver apresentação em pdf ) e João Ferreira do Amaral comentou.

"Um governo socialista não pode aceitar a precariedade e a baixa de salários"

No colóquio promovido pela Cultra, Carvalho da Silva apontou as prioridades na política de trabalho de um governo de esquerda socialista.

Para que servem os tribunais judiciais?

No painel sobre “Política de Justiça” do colóquio do CULTRA, a investigadora do CES, Conceição Gomes, apresentou as linhas para uma verdadeira política pública de Justiça. O comentário coube ao advogado Teixeira da Mota.