“Será que uma série de condomínios de luxo são cidades?”

01 de março 2010 - 0:00
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O investigador do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa considerou na sua apresentação questões ligadas à Economia e competitividade, regeneração de áreas urbanas críticas, suburbanização, ambiente e energia, governança e, ainda, questões sociais.



Uma das problemáticas abordadas foi a expansão urbana caótica que actualmente se regista e que conduz ao esvaziamento dos centros urbanos. O declínio e/ou a restruturação económica, foi também apontado por Mário Vale como sendo um problema das grandes cidades e que origina desindustrialização e desemprego. Outra característica desta restruturação é a “mudança social dos espaços pós-intervenção pública”, verificada com a desactivação de grandes equipamentos e que traduz numa passagem dos “espaços de produção aos espaços de consumo”.



A respeito da “cidade existente” Mário Vale deixou algumas questões críticas. Nomeadamente, como planear o crescimento urbano quando não há crescimento económico e demográfico; como mediar conflitos, numa lógica de ‘planear para Vs. planear com’; como é que o planeamento deixa de ser um veículo de reprodução da sociedade capitalista.



As ideias para uma Política de Cidades e Ordenamento Territorial apontadas por Mário Vale na conclusão da sua apresentação foram:



- integrar institucionalmente a política territorial (coesão, ordenamento do território, cidades, desenvolvimento rural e ambiente) e articular com políticas sectoriais;



- desenhar políticas de forte intervenção pública para as relações urbano-rural e redes urbanas em áreas de baixa densidade (risco de áreas sem aglomerações urbanas fortes declinarem rapidamente);



- apostar na compactação e polinucleação;



- prioridade máxima à reabilitação, qualificação do espaço público e consolidação da estrutura verde;



- duplicar dotação orçamental, actualmente em 1%, para a política de habitação em benefício do centro da cidade e qualificação de bairros sociais;



- adequar o planeamento urbano às alterações climáticas, nomeadamente no que respeita a questões de transportes públicos, mobilidade e normas de construção;



- no planeamento físico adoptar o princípio de usos mistos e atrair investimento e emprego para o centro da cidade;



- centralidade da identidade do lugar nos processos de regeneração urbana, evitando a urbanalização;



- promover uma cultura do território e apostar no planeamento urbano participativo.



João Seixas, geógrafo urbanista e investigador do Instituto de Ciências Sociais, ao comentar a apresentação de Mário Vale concordou com o mesmo, admitindo que “temos um sistema de planeamento quase falido e que não leva em conta as novas dimensões espaço-tempo”.  O investigador defendeu também que é necessário repensar a reabilitação urbana e a mobilidade e que, ao apostar nas cidades, também se “aposta no emprego”.

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