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“Será que uma série de condomínios de luxo são cidades?”

O investigador do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa considerou na sua apresentação questões ligadas à Economia e competitividade, regeneração de áreas urbanas críticas, suburbanização, ambiente e energia, governança e, ainda, questões sociais.

Uma das problemáticas abordadas foi a expansão urbana caótica que actualmente se regista e que conduz ao esvaziamento dos centros urbanos. O declínio e/ou a restruturação económica, foi também apontado por Mário Vale como sendo um problema das grandes cidades e que origina desindustrialização e desemprego. Outra característica desta restruturação é a “mudança social dos espaços pós-intervenção pública”, verificada com a desactivação de grandes equipamentos e que traduz numa passagem dos “espaços de produção aos espaços de consumo”.

A respeito da “cidade existente” Mário Vale deixou algumas questões críticas. Nomeadamente, como planear o crescimento urbano quando não há crescimento económico e demográfico; como mediar conflitos, numa lógica de ‘planear para Vs. planear com’; como é que o planeamento deixa de ser um veículo de reprodução da sociedade capitalista.

As ideias para uma Política de Cidades e Ordenamento Territorial apontadas por Mário Vale na conclusão da sua apresentação foram:

- integrar institucionalmente a política territorial (coesão, ordenamento do território, cidades, desenvolvimento rural e ambiente) e articular com políticas sectoriais;

- desenhar políticas de forte intervenção pública para as relações urbano-rural e redes urbanas em áreas de baixa densidade (risco de áreas sem aglomerações urbanas fortes declinarem rapidamente);

- apostar na compactação e polinucleação;

- prioridade máxima à reabilitação, qualificação do espaço público e consolidação da estrutura verde;

- duplicar dotação orçamental, actualmente em 1%, para a política de habitação em benefício do centro da cidade e qualificação de bairros sociais;

- adequar o planeamento urbano às alterações climáticas, nomeadamente no que respeita a questões de transportes públicos, mobilidade e normas de construção;

- no planeamento físico adoptar o princípio de usos mistos e atrair investimento e emprego para o centro da cidade;

- centralidade da identidade do lugar nos processos de regeneração urbana, evitando a urbanalização;

- promover uma cultura do território e apostar no planeamento urbano participativo.

João Seixas, geógrafo urbanista e investigador do Instituto de Ciências Sociais, ao comentar a apresentação de Mário Vale concordou com o mesmo, admitindo que “temos um sistema de planeamento quase falido e que não leva em conta as novas dimensões espaço-tempo”.  O investigador defendeu também que é necessário repensar a reabilitação urbana e a mobilidade e que, ao apostar nas cidades, também se “aposta no emprego”.

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Resto dossier

Colóquio "O que fará um Governo de Esquerda Socialista?"

A 27 e 28 de Fevereiro de 2010, a Cultra promoveu um colóquio sobre o tema "O que fará um Governo de Esquerda Socialista?", com painéis sobre diversas áreas. Neste dossier, incluimos os artigos que a equipa do esquerda.net fez sobre os diversos painéis do colóquio.

"Um governo socialista não pode aceitar a precariedade e a baixa de salários"

No colóquio promovido pela Cultra, Carvalho da Silva apontou as prioridades na política de trabalho de um governo de esquerda socialista.

Para que servem os tribunais judiciais?

No painel sobre “Política de Justiça” do colóquio do CULTRA, a investigadora do CES, Conceição Gomes, apresentou as linhas para uma verdadeira política pública de Justiça. O comentário coube ao advogado Teixeira da Mota.

"É preciso salvar o SNS"

No painel sobre política de saúde do colóquio "o que fará um governo de esquerda socialista", João Semedo apresentou propostas e Isabel do Carmo comentou.

“É preciso um corte com a cultura da guerra fria do pensamento”

Na última sessão do colóquio organizado pela Cultra com o tema “O que fará um governo de esquerda socialista?” o tema foi a política externa e de defesa. A apresentação ficou a cargo do deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza, seguida de comentários do general Pezarat Correia.

Afirmar a escola como bem público

Para a última sessão da tarde do Domingo a Cultra escolheu o tema da educação e convidou o professor António Nóvoa. A deputada Ana Drago comentou a apresentação que destacou a necessidade da a afirmação da escola como bem público.

“O contrário de igualdade não é a diferença, é a desigualdade”

No 7.º painel do colóquio do CULTRA, Virgínia Ferreira explicou o que são políticas de Igualdade. Manuela Tavares comentou, concluindo que um governo de esquerda socialista precisa de movimento feminista.

Ambiente e desenvolvimento rural em debate

No segundo dia do colóquio da Cultra, Francisco Ferreira e Fernando Oliveira Baptista falaram das políticas de um governo da esquerda socialista em áreas como a energia, a agricultura e as pescas.

“Será que uma série de condomínios de luxo são cidades?”

O geógrafo Mário Vale foi o orador no painel sobre o que fará um governo da esquerda socialista “Na política das cidades e ordenamento territorial”.

Estratégia para criar emprego

No colóquio "o que fará um governo de esquerda socialista", no painel sobre política económica e de finanças Francisco Louçã apresentou propostas (ver apresentação em pdf ) e João Ferreira do Amaral comentou.