Skinheads acusados de sequestro e roubo

25 de novembro 2009 - 17:19
PARTILHAR

Hammerskins eram financiados com as actividades criminosas do gangueO gangue liderado por Mário Machado especializou-se em sequestrar e roubar compradores de droga. Entre os acusados pelo Ministério Público estão elementos envolvidos noutros casos de violência da extrema-direita.

 



A acusação do DCIAP é revelada pelo diário "I" e conta os pormenores de sadismo e violência com que o grupo de hammerskins liderado por Mário Machado tratava as suas presas, depois de os atrair para negócios de cocaína que acabavam sempre mal.



Depois de combinarem o suposto negócio de venda de cocaína, atraíam o comprador a uma casa e espancavam-no até pagar o que os raptores exigiam para sair dali com vida. Num dos casos, a vítima foi amarrada a uma cruz e sofreu cortes em várias partes do corpo com uma serra empunhada por um dos arguidos.



Segundo a acusação, os carros roubados pelo gangue eram depois entregues a uma oficina em Lourel (Sintra) que os desmantelava e vendia as peças. Machado e os seus cúmplices lutavam pelo domínio do território do tráfico de droga e da criminalidade violenta fora da grande Lisboa, e chegaram mesmo a balear um dos líderes dos concorrentes "Hells Angels" algarvios, durante um encontro marcado para tratar das suas divergências. O grupo destacava-se ainda por vestir coletes da polícia e apresentar crachás de identificação policial para melhor concretizarem os crimes.



Os oito arguidos são acusados de vários crimes, entre os quais associação criminosa, sequestro, roubo, coacção, rapto, posse de arma proibida e ofensa à integridade física qualificada. Cinco deles encontram-se presos desde o momento da detenção em flagrante, em Março passado: Mário Machado, Nuno Cerejeira, Rui Dias, Bruno Santos e Fernando Massas.



Entre os acusados que estão em liberdade encontra-se Pedro Themudo, condenado a 17 anos pelo assassinato racista de Alcino Monteiro em 1993 no Bairro Alto. Themudo esteve também acusado no processo que desmantelou a Frente Nacional, sendo absolvido das acusações. Da mesma forma, foi ilibado por falta de provas num caso de agressões no Chiado em Fevereiro de 2007.



Outros dois acusados do gangue de Machado são João Dourado e Bruno Monteiro. O primeiro viu uma queixa por agressão ser arquivada por falta de provas, mas logo em seguida foi um dos profanadores do cemitério judaico em Lisboa. Quanto a Bruno Monteiro, foi condenado a dois anos no caso da Frente Nacional, mas com pena suspensa, pelas agressões a um dos estudantes que pintava um mural antifascista na Faculdade de Letras de Lisboa.



Os restantes arguidos, segundo disse uma fonte policial ao Diário de Notícias no momento da detenção em Março, "são todos ex-presidiários em regime de liberdade condicional" que Machado terá conhecido na prisão.



Leia também:

Dossier: Extrema-direita à portuguesa