O ex-banqueiro agora acusado de manipulação de mercado, falsificação de contabilidade e burla qualificada, continua a dispor de dezenas de seguranças privados e a voar no avião de luxo do BCP. Tudo à custa do banco que perdeu 600 milhões de euros com as operações de Jardim Gonçalves, que na altura ainda lhe renderam 10 milhões em prémios de gestão.
Francisco Louçã criticou ironicamente o acordo do BCP com Jardim Gonçalves.
Os responsáveis pelos problemas do banco «continuam a viver à grande e à francesa», afirmou à TSF Joe Berardo, que preside ao conselho de remunerações e que alega as dificuldades dos restantes accionistas para acabar com estas regalias. "Há muitas coisa más pendentes, mas espero que em breve sejam anunciados os nossos outros problemas. Não sei como é possível que ainda hoje se abuse do que está a acontecer no BCP. Os accionistas são prejudicados todos os dias, e esses meninos que fizeram o problema todo continuam a viver à grande e à francesa", disse o accionista do BCP que denunciou alguns dos casos que levaram à queda da administração.
O Diário de Notícias revelou que Jardim Gonçalves já fez várias viagens a título pessoal no avião de luxo que o banco aluga para viagens dos quadros de topo da administração. O antigo presidente do banco, reformado desde 2007, justifica o uso do avião nas suas deslocações com o direito à "segurança e protecção na saúde" que o conselho de remunerações lhe garantiu à saída da instituição.
No Encontro do Bloco de Esquerda sobre Trabalho, que se realizou neste Domingo, Francisco Louçã ironizou com o acordo feito entre o BCP e Jardim Gonçalves e o argumento que este usa para continuar a usar o jacto privado:
"Ele está a aplicar esse princípio e esse acordo está a ser respeitado pelo banco, o que também é bonito. Agora está a ser respeitado de uma forma imaginosa em que todos os trabalhadores podem pôr os olhos. É que Jardim Gonçalves quando quer ir a uma consulta médica vai a Nova Iorque e por isso o acordo sobre o seu acesso à saúde passou a ser o acordo à utilização livre do jacto privado do banco e a qualquer lugar do mundo para comprar medicamentos ou ter uma consulta. Como vêem nem todos os trabalhadores são atingidos por esta maleita que é a desprotecção em caso de despedimento".
As regalias e prémios pagos na despedida do anterior conselho de administração do BCP, envolto em suspeitas de fraude financeira, somam 80 milhões de euros. O presidente então em funções, Paulo Teixeira Pinto, ganhou uma reforma vitalícia de 500 mil euros anuais, para além de 10 milhões de indemnização.
A fraude no BCP foi objecto de uma comissão parlamentar de inquérito, com o PS e o PSD a impedirem o levantamento do sigilo profissional aos responsáveis que desfilaram nas audições recorrendo a ele para não responder às perguntas. O Bloco de Esquerda optou por apresentar um relatório alternativo ao aprovado pelos dois maiores partidos.
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