Co-incineração: Alegre em rota de colisão com Sócrates

11 de dezembro 2009 - 19:44
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 Alegre em rota de colisão com SócratesManuel Alegre está de novo contra José Sócrates devido ao regresso do tema que mais os dividiu há quase dez anos – a queima de resíduos industriais perigosos em Souselas.

Manuel Alegre, antigo deputado do PS, criticou o regresso da co-incineração de resíduos industriais perigosos na cimenteira de Souselas que agora retoma graças a uma decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA).

Segundo o MIC – Movimento de Intervenção e Cidadania, Manuel Alegre afirmou que “Coimbra não é um centro industrial, não produz lixo tóxico. Por isso, não faz sentido que o lixo ande a circular do norte para o centro e do sul para centro. Além de todos os outros problemas que se põe que têm a ver fundamentalmente com a saúde pública”.

Alegre lamenta que não tenha sido possível travar o processo quando ainda era deputado, lembrando que este projecto foi derrotado e tem andado nos tribunais e assegura, “Eu mantenho o compromisso que assumi então com o eleitorado de Coimbra”. Desta forma, o antigo deputado socialista entra em rota de colisão com o Governo numa questão que é central nas escolhas da política ambiental de Sócrates.

O STA decidiu recentemente pela revogação do acórdão do Tribunal Central Administrativo do norte, que em Fevereiro ordenou a suspensão da co-incineração de resíduos industriais perigosos na cimenteira de Souselas, alegando que não tinha sido feita qualquer prova sobre os concretos prejuízos decorrentes da queima de resíduos perigosos.

A decisão judicial foi já saudada terça-feira pela ministra do Ambiente, para quem o veredicto do STA permitirá a continuação da política de gestão de resíduos e a co-incineração “numa unidade capazmente habilitada para fazer essa opção de tratamento de resíduos".

O Bloco de Esquerda quer suspender de vez este processo, segundo anunciou a deputada bloquista Rita Calvário que irá levar esta questão ao parlamento. A deputada afirmou que “existem outras alternativas para o tratamento destes resíduos e, assim sendo, não se entende a teimosia do Governo em manter esta solução que é tão lesiva para as populações". Já Massano Cardoso, Provedor do Ambiente de Coimbra, contestou a decisão e a autoridade científica do tribunal.

Ler mais em Provedor do Ambiente contesta co-incineração em Coimbra .

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