O Código Deontológico da Ordem Médicos está debaixo de fogo por considerar a Interrupção Voluntária da Gravidez uma "falta deontológica grave", contrariando a lei em vigor e o ministro da Saúde vai levar o assunto aos tribunais. Mas há outros pontos no código, como o que prevê a esterilização reversível apenas com a autorização do cônjuge, que podem vir a ser considerados ilegais. A reacção dos candidatos à liderança da Ordem dos Médicos, numa altura em que decorre a campanha eleitoral, foi a de recusar a ingerência do ministro nos regulamentos por que se rege a profissão. Mas a maioria dos candidatos está de acordo com a alteração que coloque de acordo a deontologia e a vontade expressa dos portugueses no referendo de Fevereiro que deu origem à nova lei do aborto. Para o presidente do Colégio da Especialidade de Obstetrícia e Ginecologia da Ordem, este código nem sempre é respeitado pelos membros sem que até hoje alguém tenha sofrido consequências. "Estamo-nos um pouco nas tintas para o Código Deontológico", disse Luís Graça ao Diário de Notícias. Com toda a resistência que a intervenção de Correia de Campos provocou, e com a intrasigência da Ordem em ceder ao ministro e alterar o código, Luís Graça só vê
a saída judicial para esta situação.
Mas os artigos postos em causa pela lei do aborto (30º, 47º e 48º) não são os únicos apontados como contrários à lei. O artigo 54º prevê no seu ponto terceiro que "A esterilização reversível é permitida perante situações que objectivamente a justifiquem, e precedendo sempre o consentimento expresso do esterilizado e do respectivo cônjuge, quando casado". Ou seja, uma vasectomia ou laqueação de trompas, à luz das regras da Ordem, não dependem exclusivamente da vontade do paciente, exigem que uma outra pessoa autorize a operação. É o único caso em que a confidencialidade da relação entre médico e paciente é quebrada e é exigida a uma terceira pessoa que intervenha decisivamente no processo de avançar ou não com o acto médico. O próprio presidente do Colégio da Especialidade de Obstetrícia e Ginecologia da Ordem, citado pela jornalista Fernanda Câncio no DN, ficou surpreendido com essa norma deontológica: "Confesso que não sabia que isso lá estava" diz Luís Graça, que tem no seu historial clínico algumas centenas de laqueações de trompas.
Código Deontológico dos Médicos tem outras normas fora da lei
16 de novembro 2007 - 12:41
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