Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

Um crime perfeito não é aquele cuja ocultação vence os investigadores mais atentos; é antes o que é praticado à frente de toda a gente, com a conivência e até estímulo das autoridades e merecendo um amplo aplauso.

O Governo quer tornar-se notícia para não atuar. Ou melhor, para atuar como irrelevância, e esse é o caso da resposta à inflação.

Esta doutrina segundo a qual o Estado é dono, mas uns senhores fazem o que querem com a sua representação, por serem as vozes do mercado, é uma aberração.

Só uma política industrial ambiciosa pode criar emprego com salários qualificados e garantir o bem-estar social, ou criar o sistema de cuidados que são a parte da democracia na economia.

Os estatutos do BCE foram instituídos para que os que os aprovaram pudessem dizer coisas na certeza absoluta de que tal será indiferente. Protestam para impressionar a opinião pública.

O momento Lagarde é este: reduzir a procura por via do aumento dos juros e consolidar a recessão com a redução dos salários reais. A inflação é persistente.

Que é feito dessa promessa garbosa de um levantamento antifascista, de uma intransigência moralizante, de uma aliança progressista europeia e de um combate valente contra as forças das trevas?

A desertificação de partes da Europa ou África, o degelo polar ou os fenómenos extremos, de que já temos sinais, são consequências do aumento da temperatura. Ou seja, pobreza e guerras.

O populismo é um conceito de significados múltiplos e contraditórios e a sua única consistência é a forma de atribuição: esclarece mais sobre quem designa do que sobre o seu objeto.

Se a eleição antecipada salvará Sánchez, é hoje impossível de prever. A questão que nos deixa, ganhando ou perdendo, é a mesma: pode-se governar sem políticas sociais estruturantes no emprego e na vida?