Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

Os liberais de antigamente eram assim, desabridos, snobes e violentos, pelo que o seu ressurgimento tem vindo a clarificar a política.

A novidade histórica é que esta disputa de hegemonia no Pacífico e global ocorre ao mesmo tempo que a integração entre as duas economias gera dependências mútuas irreparáveis. Se alguém pensa que uma guerra resolverá a atual disputa pela hegemonia, é melhor perceber que o seu resultado é incerto.

O que ficou evidente numa experiência de pagamento de um rendimento básico universal no Quénia é que a medida não procura criar emprego, mas antes oferece um donativo.

As emissões continuam a crescer, mesmo que a cada ano se tornem mais brutais os sinais da emergência climática; as energias renováveis não substituem as fósseis, limitando-se a responder a parte do consumo que se vai ampliando.

O funcionamento do Estado é o centro da disputa política e económica, dado que a captura de bens e serviços públicos se tornou o eldorado do início do século XXI.

O Governo faz o que tem a certeza de ser inútil e até o anuncia com orgulho, fingindo que toma uma atitude dura; a empresa [Endesa] deixa-nos adivinhar que a 1 de janeiro começa outra vida, e um e outra ficam depois à espera que nos esqueçamos do episódio.

Depois da declaração do encarregado de negócios em Doha, voltou a dizer-se que “em Portugal não há racismo estrutural”. O problema é que esta resposta é pouco crível.

Tem sentido considerar que o poeta não tinha “lugar de fala” acerca de amor lésbico, pois não era mulher e não o viveu? Ou que, ao louvar esse amor, dele se estava a apropriar? Pela minha parte, curvo-me perante Baudelaire, que mudou a poesia e se atreveu a desafiar o interdito.

Alguns dos mais poderosos novos barões do país estão a ocupar a praça pública com as suas exigências, de um modo que tem sido incomum nas últimas décadas.

Elisa Ferreira será a mais consistente das escolhas indicadas por Portugal para a Comissão Europeia, mas, mesmo assim, a sua recente entrevista passou despercebida. Pouca gente a quer ouvir. No entanto, o que disse é um alerta solene: os fundos europeus vão acabar.