Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

Segundo o Programa Alimentar Mundial da ONU, 828 milhões de pessoas, mais de um décimo da Humanidade, vai dormir cada noite com fome. Cerca de 45 milhões estão a morrer de fome.

Nisto adoro o dr. Raposo. Não há mais ninguém na extrema-direita que se rebaixe ao ponto de apresentar este racismo social com vestes de pseudociência.

Submetendo a Europa e, em particular, reduzindo a Alemanha a uma nova forma de dependência energética, os EUA usam o poder imenso do banco central que financia a sua dívida gigantesca.

As últimas semanas deram-nos dois exemplos grotescos da falta de subtileza da mentira política: sobre a zona franca da Madeira e sobre a tributação dos ‘nómadas digitais’ e das criptomoedas.

O Governo nunca resiste ao superlativo: o primeiro-ministro concede modestamente que nem dirá que o aumento das pensões seja o maior “desde que os sumérios inventaram a escrita”.

Há um nexo de cumplicidade entre equipas especializadas na criatividade jurídica, instituições e decisores políticos, que se juntam para promover o abuso fiscal.

O discurso religioso instalou-se como forma de representação, em particular da extrema-direita, e o seu sucesso é uma das explicações substanciais das mudanças eleitorais de que aquela tem beneficiado.

Eco e Pasolini, e não os podemos ignorar, viviam uma memória que nos alerta ainda hoje para as tragédias passadas, que todas começaram por ser implausíveis.

Ao mesmo tempo que apresentam esta baixa do poder de compra como uma inevitabilidade, membros do Governo atacam-se florentinamente em público sobre a forma de reduzir os impostos a empresas.

O primeiro-ministro convocou as tropas para atenuar o efeito da polémica das pensões, mas não impediu que chocassem dois discursos: o de que corrigirá os valores e o de que é preciso mudar a lei.