Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

O tambor das informações na sociedade deixou de ser a intermediação profissional pelas empresas de comunicação e passou a ser a comunicação pelas empresas de redes.

Deixou de ser preciso demonstrar como se gera esta bolha de favorecimento, os factos falam por si, mesmo que seja notório que o Governo tem um medo instintivo desta evidência e prefira a vaga de demissões.

O que a vertigem da viragem à direita em três países dos mais populosos do mundo deixa na sombra é como partidos do centro também se estão a deslocar para a direita.

Parece uma triste sina nacional, esta repetição tanto do desastre quanto das explicações sobre o falhanço dos remédios que estão disponíveis e foram garantidos com fanfarra e com inauguração marcada, os famosos túneis de escoamento.

Aceitar a legitimidade da secularização por referendo da morte assistida é uma desistência da Igreja por mero estratagema político e por encosto a quem pouco se interessa pela coerência.

Haverá um CEO, urgências fechadas e o PS continuará a desmantelar o Serviço Nacional de Saúde com juras de fidelidade e boa “gestão”.

O fantasma da inflação salarial tem sido agitado ad nauseam pelos governadores dos bancos centrais. Pouco se importam com o facto de os salários e pensões serem ajustados em menos de metade da inflação.

Olhemos para as condições que protegem os poderes financeiros das regras da responsabilidade: um bom caso de estudo é o capital angolano em Portugal.

Este Governo, como outros, agora namora com os “nómadas digitais”, atraídos pela promessa de impostos risíveis, para que se instalem à beira-mar pela época alta e comprem uma mansãozita

É sempre a economia que domina a sociedade moderna. Mais, tem sido a economia estúpida, a que gera crises e propõe soluções que as agravam, que nos tem governado.