Francisco Alves

Francisco Alves

Ativista laboral e social, Ex-dirigente sindical

O tempo para fazer a segunda greve geral é agora, é preciso dar um sinal de força e unidade da classe trabalhadora. Não existe nenhuma extemporaneidade nesta Greve Geral,  é preciso manter pressão sobre o governo e a extrema-direita e isso faz-se com luta nas empresas e nas ruas.

A ministra do Trabalho continua a manter a sua intenção de levar ao Parlamento a sua proposta, com ou sem acordo na Concertação Social e pressiona os parceiros sociais dizendo que a discussão não se pode eternizar. Face a esta atitude obstinada e manipuladora do governo, o que importa é que ninguém, neste turbilhão de estratégias comunicacionais, ceda na defesa dos direitos dos trabalhadores.

A Greve Geral é contra a contrarreforma do governo que é no seu conjunto um ataque brutal aos direitos de quem trabalha, mas vai muito além disso, é uma enorme transformação nas relações ente Capital e Trabalho. Tem um profundo cunho ideológico de quem vê os trabalhadores como mercadoria.

A CGTP já avançou com uma Jornada Nacional de Luta para o dia 20 de Setembro, com duas manifestações no Porto e Lisboa. É necessário que estas manifestações sejam plurais e abertas aos movimentos sociais e em particular aqueles que trabalham junto dos imigrantes que já representarão 15% da mão-de-obra em Portugal.

Os trabalhadores são confrontados por uma ofensiva de verão lançada pelo governo da AD, nas questões laborais na Segurança Social. A importância que a Lei da Greve tem leva-nos a pensar que o governo agora suportado pela extrema-direita tem como objetivo o enfraquecimento dos sindicatos.

O XV Congresso da CGTP-IN, que se realiza nos próximos dias 23 e 24 no Seixal, é um enorme desafio pelo reforço da capacidade de influência da central sindical e dos sindicatos de classe e passa também por um sindicalismo que não teme o alargamento da sua agenda de intervenção.

Hoje, não basta dizer que os direitos se defendem exercendo-os, são precisas respostas novas, discutidas e aceites pelos trabalhadores para na negociação e/ou na luta continuarmos a fazer frente a este enorme e violento ataque do patronato e governo.

O combate à inflação e a luta pelo aumento real dos salários e pensões, vai continuar e densificar-se. Vamos passo a passo, construindo as lutas e criando movimento de massas que seja capaz de dar respostas a governos de maioria absoluta, que não ouvem quem vive do seu trabalho.

Quando oiço o primeiro-ministro dizer que se recusa a mexer nos salários e pensões, sei bem que a sua posição se traduz num engolir dos rendimentos dos trabalhadores pela inflação, ao mesmo tempo que não atua no controle dos preços de bens essenciais e não taxa os “lucros que caiem do céu”.

Notícias que saíram na Comunicação Social levam-me a escrever um apontamento sobre um assunto que os mais interessados e envolvidos na vida sindical e no sindicalismo de classe que se defende na CGTP, desejariam que não fosse notícia.