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Sózinhos em casa, a trabalhar

Defendo que o teletrabalho total não é funcional, as pessoas precisam de interação laboral e social. Mas importa ouvir, quem sente na pele os efeitos desta nova realidade e não estão a ser devidamente compensados.

A pandemia do “Covid-19” forçou o recurso à organização da atividade laboral em regime de teletrabalho, especialmente nos sectores de serviços por parte de muitas empresas privadas e na Administração Publica essa prática foi também adotada em múltiplos organismos.

Esta modalidade de prestar trabalho, não sendo nova, pois foi introduzida no Código do Trabalho desde 2003, ganhou uma dimensão que não pode ser desvalorizada e tem de merecer uma avaliação e posicionamento da parte dos trabalhadores e das suas organizações de classe, os Sindicatos.

É certo que têm sido promovidos e realizados alguns debates, escrito artigos, emitidas opiniões, por pessoas e entidades ligadas ao mundo do Trabalho, que com mais ou menos profundidade têm refletido sobre esta temática.

Defendo que o teletrabalho total não é funcional, as pessoas precisam de interação laboral e social. Um modelo misto que passe sempre pelo livre acordo dos trabalhadores, parece-me mais equilibrado.

Mas importa ouvir, quem sente na pele os efeitos desta nova realidade e não estão a ser devidamente compensados nos custos acrescidos inerentes a esta situação.

Quem tem de pagar?

A Internet, água, energia elétrica, a utilização de equipamentos informáticos, o mobiliário e equipamento de escritório a limpeza e manutenção do espaço de trabalho, que cada um dos trabalhadores envolvidos têm até agora suportado?

A resposta só pode ser uma – a Entidade Patronal.

Quem tem de garantir e sobretudo reforçar os direitos que constam já nos artigos 165º a 171º do Código do Trabalho?

Os deputados e deputadas dos partidos que sem nenhuma hesitação defendem quem vive do seu trabalho. É preciso e urgente regulamentar de forma justa, eficaz e sem ambiguidades o Teletrabalho. A Assembleia da República tem de ser chamada a este debate.

O papel dos Sindicatos e da CGTP-IN tem de ser pró-ativo e ter em consideração os perigos sociais e de organização coletiva dos trabalhadores que têm de ser acautelados de modo a impedir a separação entre trabalhadores que se podem deixar de encontrar.

Neste sentido saúdo o Debate Sindical “ Automação e Teletrabalho! Tempos e Ritmos da Ofensiva! Trabalho com Direitos” que a CGTP-IN, levou a cabo no dia 16 de Julho de 2020.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente sindical.
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