Bruno Maia

Bruno Maia

Médico neurologista, ativista pela legalização da cannabis e da morte assistida

Um plano estratégico para ultrapassar uma crise provocada por uma pandemia, deveria incluir propostas sérias e coerentes sobre o serviço de saúde desse país. O documento de António Costa Silva comete dois erros fundamentais: a linguagem e o vazio.

As pandemias vieram para ficar e serão cada vez mais frequentes. Algumas serão mais limitadas no espaço e no tempo, outras serão catástrofes globais como a covid-19. Há solução? Claro que há.

É cedo para fazermos sínteses definitivas sobre a pandemia que estamos a viver. Ainda assim há aprendizagens incontornáveis que já se manifestam de forma inequívoca e que são úteis para trilharmos caminho.

O Presidente enfrenta um dilema: quando se candidatou, garantiu que não utilizaria o veto político para afirmar as suas convicções pessoais e que este só dependerá da “análise que fará do estado da situação da sociedade portuguesa”.

Vão dizer-nos que a morte assistida não é necessária se houver cuidados de fim de vida de qualidade. Mas o que não pode ficar por dizer é que a maioria dos portugueses quer estes projetos-lei aprovados.

Este orçamento para a saúde está coberto de bonitas palavras. Mas está também ferido de morte pela realidade dos números: não há qualquer esforço para resolver a suborçamentação crónica do SNS.

Um líder da direita radical ou da ultra-direita não tem problemas de incongruência, de inconsistência ou de incoerência, de dissonância, de mentira, de vergonha (ou falta dela). A esta direita não se aplicam os critérios normais de escrutínio a que estamos habituados.

Abordar o problema das urgências hospitalares carece de uma cuidada reflexão, aliada a muita capacidade de iniciativa.

O Serviço Nacional de Saúde só se tornará verdadeiramente “sustentável” quando houver um investimento sério nos cuidados primários de saúde.

As unidades hospitalares do SNS estão hoje reféns de 2 limitações que as tolhe de qualquer projeto de desenvolvimento ou modernização. Sem autonomia para adquirir equipamentos ou definir os seus quadros de pessoal, gerir um hospital público torna-se um mero exercício de mercearia.