José Soeiro

José Soeiro

Dirigente do Bloco de Esquerda, sociólogo.

Durante décadas, Portugal tratou o problema da droga como uma questão de polícia e de prisão. Os resultados foram um fiasco. Que Moreira queira fazer uma campanha política pela recriminalização do consumo percebe-se. Que o PS o tenha acompanhado nesse voto é chocante.

Lendo o Ministro, dir-se-ia que, a haver manifestações de professores, deveriam ser para agradecer ao governo a excelência da sua ação. E no entanto, não é isso que vemos. Pelo contrário, há uma nova vaga de protesto que é também uma reação a uma dupla desvalorização sentida nas escolas.

Impedir as declarações impostas pelos patrões no fim do contrato em que o trabalhador declara "nada mais ter a receber ou a reclamar" é uma questão de dignidade e de respeito por princípios elementares do direito do trabalho. Finalmente a lei vai acabar com este absurdo e com esta ofensa.

Oxalá a indignação mais que justa com o meio milhão ilegítimo de Alexandra Reis (e vai devolvê-lo?) nos faça questionar a falta de transparência e de racionalidade deste tipo de gestão privada, tão aceite como normal que até em empresas de maioria pública se impõe.

Foram esta semana aprovadas as novas regras legais sobre trabalho em plataformas, que vão obrigar a alterações no setor. Mas o debate em torno das plataformas digitais vai muito além da regulação das relações de trabalho que hoje existem neste setor.

A ideia de que uma pessoa de 16 anos deve ser tratada como cidadã pelo fisco, pelo patrão e pelas forças armadas, mas que não o seja aos olhos da democracia é, essa sim, de um insuportável paternalismo.

Numa crua etnografia visual, o desejo libertário e os espaços de liberdade conviviam já, nesse período pós-Stonewall, com a sida, o medo, a doença, os parentescos de cuidados retratados nos pequenos gestos e fundamentais presenças, em comunidades de afinidade afetiva.

A ministra anunciou, na sua entoação habitual, mais uma medida “poderosa” no âmbito da sua “Agenda”! Ia finalmente mexer-se nas compensações por despedimento. Repondo os 30 dias que havia antes da troika? Nem pensar. O que não se imaginou foi o episódio desta semana

O PR, o Presidente da AR e o Primeiro-Ministro já anunciaram, também, que pretendem ir ao Qatar para estarem presentes nos jogos do Mundial em que a seleção portuguesa participa. Sem uma palavra crítica ou de condenação das violações de direitos humanos na organização do Mundial.

O simbolismo desta Cimeira do Clima ser no Egito é duplo. Por um lado, a realização da COP no continente africano chama justamente a atenção para a urgência deste pacto de “Perdas e Danos” entre os países mais ricos e o Sul Global. Por outro, a escolha do Egito é altamente problemática.