Em todo o mundo, há mais de 820 milhões de pessoas a passar fome ou em situação de insegurança alimentar, ao mesmo tempo que o desperdício de alimentos tem um custo ambiental de 645 mil milhões de euros e despesas sociais de 830 mil milhões.
“Reduzir o desperdício de alimentos representa uma oportunidade crucial para aliviar a pressão ambiental no nosso planeta”, defendeu hoje a WWF (World Wide Fund for Nature) na apresentação virtual do relatório Planeta Vivo 2020, onde também marcaram presença a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, e o ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos.
A organização de conservação da natureza alerta que a perda e o desperdício de alimentos também contribuem para as alterações climáticas, com uma responsabilidade estimada em “pelo menos 6% do total de gases com efeito de estufa”, três vezes mais do que as emissões globais da aviação.
“Quase um quarto - 24% - de todas as emissões do setor alimentar vem de alimentos que são perdidos nas cadeias de abastecimento ou desperdiçados pelos consumidores”, lê-se no relatório a que a agência Lusa teve acesso.
A mudança na utilização dos solos tem também um impacto direto na perda de biodiversidade. Segundo a WWF, seguem-se as alterações climáticas, a sobre-exploração de recursos, a poluição e as espécies invasoras.
“Até um quinto das espécies selvagens estão em risco de extinção neste século devido apenas às alterações climáticas”, segundo a organização.
A Associação Natureza Portugal (ANP) e a WWF preconizam um Novo Acordo para a Natureza e as Pessoas, destinado a proteger e restaurar a natureza até 2030, como suporte aos objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
As três metas deste novo acordo são “zero perda de habitat”, “zero extinção de espécies” e “reduzir para metade a pegada ecológica da produção e do consumo”.