WikiLeaks: Israel queria estrangular Gaza

06 de janeiro 2011 - 17:19

Telegrama da embaixada dos EUA em Tel Aviv, divulgado pelo diário norueguês Afterposten, mostra que Israel deliberadamente queria manter a economia de Gaza no mais baixo nível possível, dois meses antes do ataque militar.

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Bombardeamentos em Gaza duruante a guerra promovida por Israel

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Dois meses antes do ataque das tropas israelitas à Faixa de Gaza, baptizada por Tel Aviv de “Operação Chumbo Fundido”, a embaixada dos EUA em Israel preocupava-se com a política do governo israelita de estrangular economicamente a Faixa de Gaza, trazendo sérias dificuldades também à Autoridade Palestiniana. É isso que se constata da leitura de um telegrama de Outubro de 2008 obtido pela WikiLeaks e divulgado pelo diário norueguês Afterposten.

No telegrama, a embaixada adverte que a política das autoridades israelitas era a de “manter a economia de Gaza no mais baixo nível possível”, no limiar da crise humanitária.

O governo israelita considera que manter o shekel (a moeda israelita) como a moeda dos territórios palestinianos é do interesse de Israel, mas encara as transferências de moeda para os territórios como uma questão de segurança nacional, decidida pelo Conselho de Segurança Nacional israelita e não pelo Banco de Israel.

Esta política de estrangulamento deixou em maus lençóis a Autoridade Palestiniana, controlada pela Fatah, que se viu impedida de pagar aos seus funcionários – enquanto o Hamas, no governo de Gaza, conseguia pagar aos seus. As autoridades de segurança israelitas afirmavam que na lista de pagamentos da Autoridade Palestiniana estavam muitos militantes do Hamas, e por isso pouco se importavam com as dificuldades da Fatah.

A embaixada “encorajou o Governo de Israel a rever esta política”, diz-se no telegrama, mas os diplomatas americanos reconheciam não esperar qualquer mudança por parte de Israel.

Dois meses depois, começou o ataque a Gaza.