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A Wells vende saúde mas ataca a dos seus trabalhadores, diz sindicato

A empresa prepara-se para impor já este mês de janeiro horários de trabalho de dez horas. O CESP diz que é um regime “brutal” que “prejudica a saúde com a sobrecarga física e psicológica”, com os trabalhadores “completamente sozinhos no local de trabalho” a terem de atender clientes em dois balcões.
Loja da Wells em Lisboa. Imagem Google Street View

O CESP denuncia que a direção da PharmaContinente – Saúde e Higiene, S. A., detentora das lojas Wells, “pretende alterar os horários dos trabalhadores para jornadas de 10 horas, num regime de horários concentrados”. O sindicato considera esta medida uma “afronta e ataque ao direito de conciliação da vida pessoal e familiar com a profissional dos trabalhadores”.

Em comunicado, a organização sindical sublinha que “vivemos num momento em que o que se defende é o avanço civilizacional de redução da carga horária semanal para as 35h, medida que não só permitiria valorizar o trabalho, como permitir aos trabalhadores o direito de ter tempo para a família, o lazer, a cultura, o associativismo”. Em sentido contrário, a empresa quer “implementar um retrocesso total através de horários concentrados em quatro dias, quando noutros países já se implementou a jornada de quatro dias com menor carga horária”.

Para o CESP, trata-se de mais uma “tentativa de desregulamentação do horário de trabalho e de agravamento da exploração”. Repudia-se assim este regime horário como sendo “brutal” e alerta-se que “prejudica a saúde com a sobrecarga física e psicológica, que é trabalhar dois períodos de 5h”. Os trabalhadores ficam “completamente sozinhos no local de trabalho, com a responsabilidade de abrir e fechar a loja, assim como a responsabilidade total de tudo que nesse dia aconteça, ficam encarregues de atender em dois balcões de atendimento distintos sozinhos nessas 10h”.

Por isso defende-se a redução do horário de trabalho e “respeito pelas cargas horárias e horários estáveis para permitir a conciliação da atividade profissional com a vida pessoal e familiar”, que a cada balcão de atendimento distinto (ótica, parafarmácia) “seja atribuído no mínimo um trabalhador”, o fim da precariedade e contratos de trabalho sem termo para os trabalhadores que ocupam postos de trabalho com carácter permanente e respeito pelos direitos dos trabalhadores consagrados no Contrato Coletivo de Trabalho, “com aumentos salariais no mínimo de 100 euros para cada trabalhador”.

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