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Walter Baier: quem é o candidato à Comissão do grupo d’A Esquerda?

07 de junho 2024 - 20:19

O economista austríaco que dirige o Partido da Esquerda Europeia é o 'Spitzenkandidat' da esquerda e fez das respostas à crise na habitação a sua principal bandeira de campanha eleitoral.

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Walter Baier no debete entre candidatos à presidência da Comissão Europeia
Walter Baier no debete entre candidatos à presidência da Comissão Europeia

Cabe ao Parlamento Europeu eleger a presidência da Comissão Europeia, sendo que cada grupo político apresenta o seu candidato principal, o chamado 'Spitzenkandidat' (candidato principal). Walter Baier foi escolhido em fevereiro como candidato do grupo d’A Esquerda, onde o Bloco de Esquerda se insere.

Baier tem doutoramento em Economia pela Universidade de Viena e é membro do Partido Comunista da Áustria, sendo o presidente do Partido da Esquerda Europeia (a confederação europeia de partidos de esquerda) desde dezembro de 2022. Foi fundador da rede Transform! e um dos principais dinamizadores do espaço de diálogo da esquerda marxista com setores católicos, tendo participado com José Manuel Pureza, ex-deputado e candidato do Bloco a estas europeias, no encontro deste grupo com o papa Francisco no início deste ano. Mesmo sendo o "spitzenkandidat" do grupo, Baier não faz parte de nenhuma lista nacional e, por isso, não se vai candidatar a um lugar de eurodeputado.

Campanha de Baier centrada no direito à habitação

Walter Baier tem centrado muito a sua campanha na resposta à crise da habitação. O Partido da Esquerda Europeia apresenta quatro grandes propostas. Primeiro, defende que a União Europeia deve adotar uma diretiva para introduzir limites máximos às rendas e proibir despejos de residência principal. Walter explicou “Fizeram-no corretamente com a diretiva sobre plataformas, obrigando os Estados-Membros a agir. Fizeram-no com a diretiva sobre a igualdade de remuneração e a diretiva sobre o salário mínimo, o que significa criar um quadro jurídico para a ação dos Estados-Membros.” Em segundo lugar, quer garantir o direito à habitação no direito primário da União Europeia, de forma a que as pessoas estejam protegidas e possam apelar a este direito em tribunal. Terceiro, a criação de um Fundo Europeu para a habitação, oferecendo juros zero para municípios e cooperativas. Por último, criar uma diretiva que obrigue os municípios a travar a especulação com rendas de curto prazo.

Baier único candidato a trazer a Palestina para os debates

Em vários debates entre os candidatos principais de cada grupo político em Maastricht, Walter Baier foi o único a mencionar o genocídio em Gaza e a questionar diretamente Von der Leyen sobre a falta de sanções a Isarel, o que contribuiria para travar o conflito. A atual presidente da Comissão Europeia e agora candidata a ser reeleita, tem reiterado apenas o direito de defesa de Israel dentro do quadro internacional.

A 23 de maio, num debate organizado pelo Parlamento Europeu e a União Europeia de Radiodifusão - onde na sua apresentação biográfica escolheu como citação favorita "Em cada esquina, um amigo. Em cada rosto, igualdade”, de Zeca Afonso -, Baier sublinhou que as despesas militares da NATO já são três vezes superiores às da China e da Rússia juntas, e que os países europeus da NATO gastam duas vezes mais do que a Rússia nas forças armadas, defendendo antes a necessidade de investir dinheiro na transformação social e ecológica.

Quanto à Ucrânia, Baier defendeu que a Esquerda Europeia quer uma Ucrânia segura, soberana e reconstruída, com fronteiras seguras, perguntando aos restantes candidatos porque é que rejeitaram a proposta da Esquerda para cancelar a dívida da Ucrânia.

No final deste tópico, Baier voltou a colocar a Palestina no debate, afirmando-se “realmente surpreendido pelo facto de estarmos aqui a falar de paz e segurança e ninguém sequer mencionar Gaza e Israel” E voltou a dirigir-se a Von der Leyen “em Maastricht perguntei-lhe e faço-o repetidamente: quando é que a União Europeia irá impor sanções a Israel para impedir os assassinatos em Gaza?

Walter fez questão de ainda frisar que a transição ecológica não será possível sob as atuais regras da governação económica, por implicarem o retorno da austeridade; criticou Von der Leyen e Sandro Gozi (Renew) por fazerem alianças com a extrema-direita; e defendeu que as políticas migratórias deveriam ser baseadas nos direitos humanos.