Legislativas 2025

Votos não convertidos em mandatos: Bloco foi novamente o partido mais prejudicado

21 de maio 2025 - 14:36

Bloco de Esquerda viu 75% dos seus votos serem “desperdiçados” devido ao atual sistema de círculos eleitorais. No total, foram mais de meio milhão de votos em todo o país que não contribuíram para eleger ninguém.

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Voto
Fotografia de Paula Nunes.

Houve 567.930 votos “desperdiçados” nas eleições legislativas de 18 de maio de 2025, segundo o site O Meu Voto. São 9,76% do total de votos que acabam por não contribuir para a eleição de deputados, sem contar com os círculos da emigração. O Bloco de Esquerda foi o partido mais prejudicado, com 75% dos seus votos (89.297, em termos absolutos) a não contribuírem para a eleição de deputados.

Segundo o Público, desde as últimas três eleições que o Bloco de Esquerda é sistematicamente o partido mais prejudicado pelo atual sistema devido à dispersão de votos. Os mais beneficiados são sempre os grandes partidos, com o Partido Socialista e o Chega a serem os que menos votos viram desperdiçados nas eleições.

Os maiores círculos eleitorais são também os mais beneficiados, em detrimento dos mais pequenos. Em Portalegre, o distrito que elege menos deputados, 41% dos votos foram desperdiçados. Em Lisboa, são apenas 2,65%. Em Leiria, por exemplo, houve um total de 47.203 votos que não se converteram em mandatos, o que representa 18,37% dos total de votos válidos daquele círculo eleitoral.

O Bloco de Esquerda foi um dos poucos partidos que defendeu uma solução para os votos desperdiçados, propondo a criação de um círculo de compensação nacional. A proposta foi entregue no início da legislatura que agora termina, no dia 26 de março de 2024.

No projeto de lei, o partido defende que “a existência de círculos do território nacional com cada vez menos eleitores, na ausência de qualquer mecanismo de compensação, limita a escolha e distorce os resultados”. E explica que “criar um círculo de compensação é não só uma solução compatível com as normas constitucionais em vigor, como é também a solução já aplicada nas eleições legislativas regionais dos Açores”.

“Nesta solução, dos 226 mandatos do território nacional, 216 são distribuídos proporcionalmente ao número de eleitores de cada círculo, segundo o método da média mais alta de Hondt, e 10 são atribuídos ao círculo de compensação”, lê-se no documento.

Apesar disso, só os partidos mais pequenos defendem uma solução para o facto de em todas as eleições haver cerca de meio milhão de votos que não servem para eleger nenhum deputado. O Partido Social Democrata, o Partido Socialista e o Chega, que beneficiam do atual sistema, continuam a defendê-lo.