Guerra

Von der Leyen apresentará plano para “rearmar” Europa

03 de março 2025 - 18:08

Antes da “cimeira internacional sobre segurança europeia” prometia-se um plano de paz, mas saiu apenas um anúncio de uma proposta de cessar-fogo parcial. E sobretudo as ideias da presidente da Comissão Europeia de “um grande esforço” no apoio militar à Ucrânia que implica “mais espaço orçamental para aumentar as despesas com a defesa”.

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“cimeira internacional sobre segurança europeia”
Foto de JAVAD PARSA NORWAY OUT/EPA/Lusa

Aconteceu este domingo a “cimeira internacional sobre a segurança europeia”, uma reunião organizada à margem da União Europeia e que contou com a presença do país organizador, o Reino Unido, e Ucrânia, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha, Noruega, Canadá, Finlândia, Suécia, Dinamarca, República Checa, Polónia, Roménia, Turquia, e ainda a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. Mais uma vez, o governo português não se fez ouvir nestes encontros.

À saída do encontro, Ursula von der Leyen, prometeu a apresentação ainda esta semana de um “plano abrangente” para “rearmar” a Europa. Para acompanhar a iniciativa, terá de haver “um grande esforço” que implica “mais espaço orçamental para aumentar as despesas com a defesa”.

A dignitária europeia utilizou ainda a metáfora de transformar a Ucrânia num “porco-espinho de aço indigesto para potenciais invasores”, o que inclui apoio militar mas também em áreas como a rede energética.

Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou “esta consulta” como “útil e importante” mas ficou-se por garantir que a União Europeia “está disposta a trabalhar com os parceiros europeus e outros aliados no plano de paz para a Ucrânia que garanta uma paz justa e duradoura para o povo ucraniano”. Esta deve “aprender com o passado” para evitar “repetir a experiência de Minsk”, os acordos de paz de 2014 e 2015 que fracassaram.

França e Reino Unido propõem cessar-fogo parcial

Da cimeira resultou uma proposta de trégua de um mês “no ar, nos mares e nas infraestruturas energéticas”, de acordo com o que presidente francês, Emmanuel Macron, disse ao Le Figaro. Ele e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, tinham anunciado que preparavam um “plano” para acabar com a guerra que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia, mas não foram especificados detalhes sobre nada deste tipo.

O chefe de Estado francês diz que poderão passar a existir forças de manutenção de paz na Ucrânia depois de negociações mas garantiu que “não haverá tropas europeias em solo ucraniano nas próximas semanas”.

Macron acrescenta igualmente: “queremos a paz. Mas não queremos isso a qualquer preço, sem garantias”.

Por seu turno, o anfitrião, Keir Starmer, diz que vivemos o momento de uma “encruzilhada histórica” e garante haver uma “coligação” dos “Estados dispostos” a garantir a paz na Ucrânia. O seu país anunciou mais 1,9 mil milhões de euros para que a Ucrânia possa comprar 5,000 mísseis de defesa aérea produzidos em Belfast.

Starmer, e o resto dos dirigentes internacionais presentes, escolheram não criticar Trump, procurando refutar a ideia de que é “um aliado no qual não se pode confiar” e insistindo que “não há dois países mais unidos do que os nossos”. Assim, o primeiro-ministro britânico afirma: “estamos a trabalhar com Trump, com quem concordámos na urgência de uma paz duradoura”.

O seu convidado Mark Rutte, secretário-geral da NATO, regozijou-se com a notícia do aumento da despesa militar, nomeadamente os anúncios do Reino Unido de que vai passar a gastar na área 2,5% do Produto Interno Bruto.

Governo português promete 300 milhões de euros de ajuda à Ucrânia

Quem não foi convidado para a cimeira foi o governo português que, do lado de fora, anunciou estar disponível para participar no pacote de apoio militar à Ucrânia que a União Europeia decidirá na próxima quinta-feira, e que tem o valor total de 20 mil milhões de euros, com a atribuição de 300 milhões de euros. E esta verba pode chegar aos 450 milhões se o pacote for elevado a 30 mil milhões.

Ao Público, uma fonte governamental não identificada esclarece que “Portugal estará dentro” e que o seu “compromisso” com a Ucrânia “é total, e se houver acordo no Conselho Europeu, Portugal fará parte desse acordo”.

Zelensky ainda quer assinar acordo sobre terras raras com EUA

Esta segunda-feira, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de não querer que a guerra acabe e de “continuar o seu terror aéreo” com ataques deliberados a civis com mísseis balísticos.

Apelou a “uma maior força coletiva do mundo” para travar o invasor e, no rescaldo da sua presença na Casa Branca, voltou agradecer “por todo o apoio que recebemos dos EUA”: “não houve um único dia em que não sentíssemos gratidão”, sublinhou, destacando contudo mais o “apoio claro da Europa” e dizendo ter sentido na cimeira do passado fim de semana “ainda mais unidade, ainda mais vontade de cooperar”, sendo que “para que a paz seja real, precisamos de garantias de segurança reais. E esta é a posição de toda a Europa, de todo o continente”.

Zelensky manifestou-se ainda disposto a reunir-se com o seu homólogo norte-americano e a assinar o acordo sobre minerais que ficou por rubricar depois da discussão de sexta-feira na Casa Branca. E apoiou a ideia do plano de paz franco-britânico que dará frutos “nas próximas semanas”.