Viseu

Viseu fica sem transportes públicos a partir de sábado, trabalhadores preocupados

28 de fevereiro 2025 - 14:32

A Berrelhas disse na terça-feira que a partir de sábado deixava de assegurar o serviço Mobilidade Urbana de Viseu por ter prejuízo com ele.

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Autocarro MUV
Autocarro MUV. Foto da MUV no Facebook.

A empresa que assegurava o serviço Mobilidade Urbana de Viseu, os transportes públicos deste concelho, anunciou na passada terça-feira que o deixará de fazer a partir já deste sábado.

A Berrelhas alega como razão um prejuízo mensal de 146 mil euros. Em comunicado, diz que foi “forçada a tomar esta decisão considerando que o contrato de concessão atualmente em execução é altamente deficitário”.

Autarquia propôs ajuste direto à mesma empresa

Fernando Ruas, presidente da autarquia, admitiu em conferência de imprensa no final da reunião pública da Câmara esta quinta-feira, que tinha sido apanhado “completamente de surpresa”. Esclareceu então que estava a decorrer um procedimento de ajuste direto para este serviço por dois anos com a mesma empresa, no valor de nove milhões de euros, de forma a tentar corrigir o facto de o contrato de concessão ser deficitário. O autarca disse ainda que cedeu à empresa nas exigências sobre a idade da frota, “o que traz poupanças enormes para o operador”.

A Câmara Municipal lembra ainda que o serviço não pode ser terminado desta forma e que “há sanções que decorrem da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes”, tendo a situação já sido reportada a esta entidade.

Ruas diz que o concelho pode ficar sem transportes por “um período curto” mas assegura que este vai continuar “com ou sem Berrelhas”.

A empresa tinha já, no seu comunicado de terça-feira, indicado que a proposta de contrato que lhe chegou a 7 de fevereiro “após muita insistência por parte desta empresa” era insuficiente porque seria obrigada a fazer um investimento “superior a 500 mil euros, no âmbito de contrato com duração nunca superior a dois anos”, considerando ainda impossível a “transição para a fase de execução contratual enquanto não se tiverem por verificadas as novas condições técnicas exigidas no caderno de encargos” e que se manteria um prejuízo mensal.

Trabalhadores preocupados

Ao mesmo tempo da reunião da Câmara, os trabalhadores da empresa reuniram em plenário convocado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal.

Segundo a Lusa, o dirigente sindical Hélder Borges diz que a Câmara garantiu que “o serviço de transportes às populações vai continuar e que os postos de trabalho estão salvaguardados”.

Ainda assim, os trabalhadores estão preocupados. A agência noticiosa nacional cita ainda o motorista José Martins, que afirma: “andamos neste impasse e muito nervosos, porque os utentes viram-se contra nós, mas nós só desempenhamos o nosso trabalho. Eles veem-nos como parte da empresa e consideram que também somos culpados”. Enquanto que apenas quer “trabalhar com paz e sossego”.

Em comunicado anteriormente a este plenário, a FECTRANS alertava que “a suspensão da atividade de forma unilateral, colocando os trabalhadores sem ocupação” “configura lock out, o que é proibido por lei”.

A federação sindical acrescenta que estes acontecimentos demonstram a razão da reivindicação de que a “única forma de assegurar, de forma permanente, um serviço público de qualidade, que os utentes necessitam” é através de um “setor com uma forte intervenção pública”.

Bloco diz que MUV foi “promessa falhada”

Numa publicação na sua página de Facebook, a distrital de Viseu do Bloco de Esquerda lembra que tinha questionado a situação na Assembleia Municipal e as suas perguntas “ficaram sem resposta”, apesar da “iminência” de Viseu “ficar sem o serviço de transportes urbanos”.

O partido recorda ainda que “de um projeto para a mobilidade urbana de Viseu que, em ideia e planeamento, muito prometia e muita esperança trazia, ficaram de fora demasiadas coisas”, listando coisas que ficaram por fazer: “a aplicação móvel existiu mas já não está disponível para download; o website não carrega surgindo uma mensagem de erro; os painéis com informação sobre a chegada de autocarros existem apenas no centro e estão desligados; o funicular permanece no sítio apesar da promessa de ser substituído pelo Viriato e, ainda para mais, com funcionamento intermitente; a Central foi efetivamente renovada, mas ainda não está a funcionar em todo o seu potencial: desde logo uma das funcionalidades básicas e essenciais – os monitores com informação sobre os horários e cais de paragem dos autocarros não estão a funcionar, exibindo apenas o logotipo do município; o Bikesharing ou o transporte a pedido não passaram de vagas concretizações de difícil utilização e que, por não funcionarem, depressa sumiram do leque de respostas consideradas pelos viseenses”.

Assim, o MUV trouxe inicialmente “esperança num concelho mais conectado e ecológico” mas “agora nem esperança há”, apenas um remediar “com os vestígios de uma promessa falhada, convivendo durante todo este tempo com horários não executados, atrasos constantes e falta de informação”.

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