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Violência policial aumenta em França

Nos dois meses que decorreram desde o início dos protestos dos coletes amarelos há mais feridos graves do que nos últimos vinte anos. Antes das manifestações deste sábado, que juntaram 84 mil pessoas, jornais e associações contabilizavam 97 feridos graves.
Foto de Patrice Calatayu/Flickr

Ainda antes do ato X das manifestações dos coletes amarelos, ocorrido neste sábado, e que juntou segundo o ministério do Interior francês 84 mil pessoas, jornalistas e associações contra a violência policial contavam, pelo menos, 97 feridos graves por intervenção de armas policiais. Quatro pessoas perderam uma mão, 14 perderam um olho e uma ficou surda, na maior parte dos casos devido às “balas de defesa” e granadas de gás lacrimogéneo GLI-F4 lançadas. Zineb Redouane, de 80 anos, morreu quando uma granada foi atirada para o seu apartamento e a atingiu no rosto.

Por sua vez, o ministério do Interior contabiliza, nos últimos dois meses em França, 1.800 feridos entre os manifestantes e mil entre as forças policiais sem adiantar a quantidade de feridos graves.

O coletivo contra a violência policial Désarmons-les!, nascido em 2012, é uma das entidades que se dedicou a recolher sistematicamente dados sobre a violência policial. Esclarecem que definem feridos graves todos aqueles que sofreram fratura, traumatismo craniano, perda de um membro ou rutura de um órgão. Dedicam-se a procurar informação credível nas redes sociais, através dos membros da sua rede e de advogados envolvidos na luta contra as violências policiais e verificam-na através de contactos junto de pessoas próximas das vítimas, de fotos das feridas e da sua evolução. Só depois deste processo juntam o nome da vítima à sua lista, esclarecem em declarações à Reporterre.

Acrescentam ainda que entre 1999 e a altura em que começou a vaga de protestos dos coletes amarelos tinham havido 53 feridos graves devido a intervenções policiais, um grande número delas sem ser em manifestações. Em dois meses esse número foi ultrapassado quase para o dobro: 97.

Outra das fontes é o jornal Libération que tem feito uma recolha própria. Os números não andam longe dos apresentados pela associação anti-violência. A 15 de janeiro havido 94 feridos graves, 69 dos quais devido a balas LBD e 14 pessoas tinham perdido um olho.

A 7 de dezembro um abaixo-assinado de 200 personalidades francesas apelava ao fim imediato do uso das LBD para o controlo de manifestações. A 14 de dezembro foi a Amnistia Internacional a fazê-lo. O ministério do Interior gaulês insiste que se trata de “armas de defesa que são utilizadas pelas forças da ordem em resposta a violências, em situação de legítima defesa”.

Nas manifestações, os retratos da violência policial são cada vez mais mostrados.

Estes dois sites que se dedicam a contabilizar os casos de violência policial ainda não apresentaram uma estimativa para o sábado passado. Procuram investigar os casos chegados de forma a precaver-se de notícias falsas como a da foto de um homem com a cara desfigurada, alegadamente agredido em Toulouse, que afinal era de um canadiano.

Entretanto, nos jornais franceses circula mais um caso verificado: em Rennes um homem de 27 anos foi atingido num olho por um disparo.

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