Autárquicas 2025

Vila Franca de Xira: Bloco apresenta candidatura por um concelho mais justo

28 de julho 2025 - 16:18

A cabeça de lista à Câmara, Catarina Lourenço, sublinhou os problemas na habitação e na saúde que o concelho enfrenta. O cabeça de lista à Assembleia Municipal, Luís Santos, destacou o trabalho realizado no concelho pelo Bloco e criticou que "os serviços públicos na região estão a ser deixados para trás".

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Apresentação candidatura Vila Franca de Xira.
Da esquerda para a direita: Catarina Neto, cabeça de lista à Assembleia de Freguesia de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, Luís Santos, cabeça de lista à Assembleia Municipal, José Ferreira, mandatário, Catarina Lourenço, cabeça de lista Câmara Municipal, e Patrícia Lavareda, cabeça de lista à Assembleia de Freguesia de Vila Franca de Xira.

Este domingo de manhã, junto ao Palácio da Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria, o Bloco de Esquerda apresentou a sua candidatura à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, assumindo como compromissos construir um concelho mais justo, mais sustentável e com serviços públicos de qualidade para todos e todas, garantir habitação acessível e reabilitar os bairros históricos, criar mais espaços verdes e defender uma cidade para as pessoas, mobilidade ativa, transportes públicos e ciclovias entre freguesias, promover uma cultura viva, descentralizada e para todas as idades, reforçar os serviços públicos que estão a ser deixados para trás: na saúde, educação e ação social e defender o bem-estar animal e políticas ambientais com futuro.

A sessão contou com as intervenções do dirigente bloquista Bruno Góis, do mandatário da candidatura e dos cabeças de listas à Câmara e à Assembleia Municipal.

A cabeça de lista à Câmara será Catarina Lourenço, médica, professora universitária e investigadora na área das Neurociências que tem sido eleita na Assembleia de Freguesia da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa e tem assumido, enquanto substituta, o lugar de deputada municipal pelo Bloco de Esquerda.

O cabeça de lista à Assembleia Municipal será Luís Santos, gestor de risco, formado em Economia e Ciências do Trabalho. O mandatário da candidatura será José Ferreira, comerciante, membro do CIDAC e da Comissão para os direitos do povo maubere.

Na sua intervenção, Catarina Lourenço decidiu focar-se nos problemas habitação e da saúde. Sobre o primeiro, criticou o executivo camarário que “optou por uma política de desregulação favorável aos interesses do mercado. Projetos como a Vila Rio, na Póvoa de Santa Iria, são exemplo disso”.

Em sentido diverso, o partido defende construção pública de novos alojamentos com “estratégias de contenção da especulação imobiliária”, quotas nas novas construções privadas para habitação a custos controlados, incentivo ao cooperativismo e fazer a autarquia contribuir para a reabilitação de imóveis devolutos com a sua colocação no mercado de arrendamento de longa duração com rendas acessíveis.

Na questão da saúde, diagnosticou a situação do hospital de Vila Franca de Xira que “apresenta falhas demasiado frequentes no acesso às urgências de pediatria, ginecologia e obstetrícia, estando a urgência geral a ser maioritariamente assegurada por profissionais subcontratatos e por equipas exaustas”.

A cabeça de lista bloquista lembra que se voltou a discutir o modelo das parcerias público e que este agora abrange também os centros de saúde. “O município não sabe em que ponto estão estas discussões e parece não querer exercer a sua influência nesta decisão”, critica, “mesmo sabendo que as PPP permitem a exclusão de doentes críticos ou com doenças que exijam medicações demasiado dispendiosa”.

Para além disso, apontou a falta de médicos de família, sublinhando a necessidade de apoiar a fixação de profissionais de saúde “bem como reforçar as equipas de psicólogos, nutricionistas e higienistas orais” e a necessidade de manutenção e atualização dos equipamentos de saúde de gestão municipal.

O cabeça de lista à Assembleia Municipal, Luís Santos, recordou o histórico da intervenção bloquista mais recente no concelho: “fomos os primeiros a propor a criação da Reserva Natural Local das Salinas de Alverca e Forte da Casa, exigimos que a obra de quadruplicação da linha do Norte não ignorasse a população, foi por proposta do Bloco na Assembleia Municipal que o Teatro Salvador Marques, em Alhandra, ao abandono há mais de 4 décadas, foi classificado como imóvel de interesse municipal, contestámos o mega projeto de imobiliário de luxo Vila Rio, aqui mesmo na Póvoa de Santa Iria, onde, neste momento, estão à venda casas a 6 mil euros o metro quadrado para investidores internacionais”. Este é “um projeto de gentrificação que não responde aos interesses locais”, sublinha.

O candidato não deixou ainda de vincar que “os serviços públicos na região estão a ser deixados para trás”, exemplificando com o facto das bibliotecas de Alverca e a da Póvoa de Santa Iria estarem “abandonadas, sem investimento digno desse nome”; do Hospital de Vila Franca de Xira enfrentar “encerramentos frequentes nas urgências de Obstetrícia e Ginecologia” e do Centro Cultural da Castanheira do Ribatejo, “tantas vezes prometido”, continuar “só no papel”.