As palavras da vice-presidente Leni Robredo foram proferidas numa conferência esta sexta-feira numa universidade em Los Baños, em resposta à pergunta de um estudante sobre uma alternativa à política da “guerra às drogas” que no último ano fez cerca de 9000 mortos, assassinados pela polícia ou mercenários em colaboração com as autoridades. O próprio presidente filipino Rodrigo Duterte já defendeu abertamente o assassinato de consumidores, traficantes e outros suspeitos de envolvimento com substâncias ilícitas no país.
Robredo referiu-se às abordagens repressivas levadas a cabo em países latinoamericanos, sem qualquer sucesso. “Esses países combateram o fogo com mais fogo. Muitas vidas foram perdidas mas esses governos não tiveram sucesso”.
“Quem é que teve sucesso”, questionou em seguida. “Um deles é Portugal. E o que fez Portugal? Portugal criou um sistema de combate à droga pacífico e ordeiro. Reformaram as suas leis, reforçaram o tratamento dos dependentes e as instituições responsáveis pelo tratamento. “Eles tiveram sucesso”, sublinhou Leni Robredo.
Para contrariar as chacinas diárias de toxicodependentes que ocorrem nas Filipinas, a vice-presidente (cargo que nas Filipinas é eleito separadamente do presidente) defende que o país aprenda com as lições dos outros países e passe a apostar na prevenção e tratamento em vez da repressão.
Leni Robredo já tinha enviado uma mensagem à última conferência da ONU sobre drogas no mês passado, com duras críticas à política de assassinatos que tem semeado a violência nas Filipinas pela mão do atual chefe de Estado (ver vídeo em baixo).