Vice-presidente filipina dá exemplo português para acabar com guerra às drogas

24 de abril 2017 - 14:43

A política repressiva seguida pelo presidente Duterte já matou milhares de pessoas. Leni Robredo opõe-se ao presidente e cita exemplo da descriminalização em Portugal.

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Leni Robredo, vice-presidente das Filipimas, insurge-se contra as matanças da "guerra às drogas" do presidente Duterte.

As palavras da vice-presidente Leni Robredo foram proferidas numa conferência esta sexta-feira numa universidade em Los Baños, em resposta à pergunta de um estudante sobre uma alternativa à política da “guerra às drogas” que no último ano fez cerca de 9000 mortos, assassinados pela polícia ou mercenários em colaboração com as autoridades. O próprio presidente filipino Rodrigo Duterte já defendeu abertamente o assassinato de consumidores, traficantes e outros suspeitos de envolvimento com substâncias ilícitas no país.

Robredo referiu-se às abordagens repressivas levadas a cabo em países latinoamericanos, sem qualquer sucesso. “Esses países combateram o fogo com mais fogo. Muitas vidas foram perdidas mas esses governos não tiveram sucesso”.

“Quem é que teve sucesso”, questionou em seguida. “Um deles é Portugal. E o que fez Portugal? Portugal criou um sistema de combate à droga pacífico e ordeiro. Reformaram as suas leis, reforçaram o tratamento dos dependentes e as instituições responsáveis pelo tratamento. “Eles tiveram sucesso”, sublinhou Leni Robredo.

Para contrariar as chacinas diárias de toxicodependentes que ocorrem nas Filipinas, a vice-presidente (cargo que nas Filipinas é eleito separadamente do presidente) defende que o país aprenda com as lições dos outros países e passe a apostar na prevenção e tratamento em vez da repressão.

Leni Robredo já tinha enviado uma mensagem à última conferência da ONU sobre drogas no mês passado, com duras críticas à política de assassinatos que tem semeado a violência nas Filipinas pela mão do atual chefe de Estado (ver vídeo em baixo).