Em comunicado, a distrital aveirense do Bloco de Esquerda diz que a Universidade de Aveiro entregou a sua VPN à empresa de software Check Point Software Technologies, uma das maiores empresas israelitas, com sede em Telavive e que tem ligações às forças armadas, aos serviços secretos e aos produtores de armas de Israel.
Uma VPN (Virtual Private Network ou Rede Privada Virtual) é uma tecnologia que cria uma ligação entre o dispositivo do funcionário/aluno (computador ou telemóvel) e a rede interna da Universidade, através da internet, usada por exemplo para teletrabalho. Ou seja, refere o comunicado da distrital bloquista, “potencialmente, todo o tráfego de internet escoado através da VPN da Universidade de Aveiro passa por Israel”, podendo os conteúdos “serem analisados e armazenados, violando a privacidade e a segurança da instituição, dos seus funcionários e dos seus alunos”.
Israel
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A empresa em causa participa em consórcios com a Israel Aerospace Industries, uma das principais fabricantes de armas do país, e o seu fundador e CEO durante 30 anos, bem como outros diretores, “foi membro da Unit 8200 (serviços de informação do exército) que se dedica a usar espionagem eletrónica massiva sobre a população e na recolha massiva de informação eletrónica”.
“A Universidade de Aveiro tem história no desenvolvimento da internet em Portugal e tem obrigações éticas para com os direitos humanos que a devem levar ao abandono desta empresa”, defende o Bloco de Esquerda, lamentando que a instituição “recorra a uma empresa com ligações ao fabrico de armas, usadas contra o Direito Internacional e contra os direitos humanos, para serviços e infraestrutura críticos da internet da Universidade”. Contactada pela agência Lusa sobre esta situação, a Universidade de Aveiro escusou-se a reagir.