Está aqui

UMAR surgiu das movimentações de mulheres no 25 de Abril e PREC

União de Mulheres Alternativa e Resposta dinamizou esta segunda-feira a sessão "Memórias das Mulheres do 25 de Abril e as Lutas da UMAR na Época do PREC" em comemoração dos seus 46 anos.
Foto UMAR.

Numa iniciativa que teve lugar na Biblioteca de Alcântara, em Lisboa, Manuela Tavares e Idalina Rodrigues, dirigentes e co-fundadoras da União de Mulheres Alternativa e Resposta - UMAR, enquadraram a história dos primórdios da associação no tempo do Processo Revolucionário em Curso (PREC), salientando os desafios que ainda se colocam na atualidade para os feminismos.

Manuela Tavares explicou que a UMAR “não nasceu como uma associação feminista de segunda vaga”. O coletivo “surgiu das mulheres que participaram no PREC e que foram ganhando consciência política”, apontou a dirigente associativa. Manuela Tavares referiu ainda que essa ligação ao PREC “foi muito importante porque nos ligou às lutas populares, às mulheres dos setores mais desfavorecidos”.

“Eram as mulheres que, nos bairros sociais, mais lutavam pelo direito à habitação”, afirmou a co-fundadora da UMAR.

Disso é exemplo a ocupação, a 2 de maio de 1974, dos prédios que estavam a ser construídos na Ajuda pela Fundação Salazar, entretanto extinta, e que se destinavam a funcionários da PIDE e suas famílias. Entre as centenas de pessoas que se mobilizaram, as mulheres predominavam.

Mas a luta das mulheres durante o PREC não se esgota nas questões associadas ao direito à habitação. Manuela Tavares participou, por exemplo, na ocupação, no verão de 1975, da creche popular do Pragal, em Almada, com a formação de uma comissão de mulheres para gerir o espaço.

É de destacar ainda a luta das mulheres da Sogantal, que “ocuparam as fábricas abandonadas pelos patrões e puseram-nas a funcionar”. Foi um “exemplo de autogestão todo dirigido por mulheres”, assinalou a dirigente associativa.

Manuela Tavares deu também o exemplo da Cooperativa Mulheres em Luta, em Almada, que se traduziu numa “experiência de autogestão de mulheres que juntaram as suas máquinas de costura e começaram a fazer roupa de criança, que era vendida à porta dos mercados em Almada ao fim de semana”.

Idalina Rodrigues falou, por sua vez, nas mudanças que se verificaram na zona de Alcântara desde o período do fascismo: “de zona operária passou a zona de condomínios de luxo”, vincou.

A co-fundadora da UMAR lembrou que antes do 25 de Abril existiam, na região de Lisboa, 18 mil famílias sem casa ou que viviam em casas partilhadas; 82% não tinham casa de banho, 71% não tinham água e 62% não tinham eletricidade. E afirmou que, neste contexto, “não custa perceber por que é que, quando se deu o 25 de Abril, as mulheres, que eram as tão faladas ‘fadas do lar’ no antigo regime”, vieram a “tomar a dianteira”.

Idalina Rodrigues lamentou que hoje continuem a existir jovens que não têm casa para morar, e frisou que “a luta pela habitação digna continua a estar presente, com outras características”.

Ambas as dirigentes da UMAR realçaram que há muito caminho a fazer e que é preciso “transformar o dia a dia das mulheres”.

Termos relacionados Sociedade
(...)