O X, nome que Elon Musk deu ao Twitter meses depois de o ter comprado, está a mudar as condições de utilização dos seus serviços subscritos mediante pagamento, antes denominados Twitter Blue agora X-Premium, e a exigir verificação de identidade. Esta passa por enviar uma cópia de um cartão de identificação e pelo envio de uma fotografia, sendo que está previsto que os dados biométricos sejam guardados por 30 dias.
Este processo foi sub-contratado a uma empresa israelita chamada Au10tix, fundada em 2002, que já tem contratos na mesma área com empresas como a Google, a Uber ou o PayPal.
A questão, dizem várias fontes palestinianas, é que não é uma empresa qualquer. Foi criada, entre outros, por ex-membros do Shin Bet, os serviços secretos israelitas.
À RFI, Nadim Nashif, dirigente da 7amleh, organização palestiniana de defesa dos direitos digitais sediada em Israel, confirma que “o pessoal e dirigentes” desta empresa “têm ligações claras com o aparelho securitário israelita. São veteranos” destes servios.Por isso, “há entre os militantes palestinianos e árabes dos direitos humanos um medo que os seus dados caiam nas mãos de agências que eles não querem”.
Este dirigente associativo acusa ainda Musk de ter virado do avesso “todo o serviço de direitos humanos que existia na época do Twitter”. Assim, “os responsáveis pela confidencialidade e respeito pelos direitos humanos já lá não estão”, “já não há mecanismo para respeitar os direitos digitais e fundamentais e a confidencialidade das pessoas”, passando o foco a ser “fundamentalmente o dinheiro, os negócios, as tecnologias”.