Turquia: Sindicatos convocam Greve Geral para segunda-feira

16 de junho 2013 - 19:54

Duas centrais sindicais turcas convocaram Greve Geral para esta segunda-feira, 17 de junho, para exigir o fim da violência policial. Depois da brutal intervenção em Istambul na noite de sábado, a polícia reprimiu violentamente uma cerimónia de homenagem a um jovem assassinado a tiro, em Ancara. Os protestos estão a decorrer também noutras cidades. Erdogan juntou milhares de apoiantes em Istambul.

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Multidão atravessando a ponte do Bósforo para se juntar aos manifestantes da praça Taksim. Ver vídeo da repressão policial desta marcha - Foto Occupy Gezi

Duas das maiores centrais sindicais turcas (KESK, que representa 240 mil funcionários públicos, e DISK) convocaram uma Greve Geral na Turquia para esta segunda-feira, para exigir ao governo o fim imediato da violência policial. Mustafa Turgut, porta-voz da KESK, disse à Reuters: “Já tínhamos tomado a decisão de declarar greve geral se houvesse intervenção no parque”. A KESK espera que outras associações sociais adiram à greve.

Na noite deste sábado, a polícia turca expulsou violentamente os manifestantes da praça Taksim e do parque Gezi em Istambul. (Leia testemunho Turquia: “Estou num país onde um homem tem o direito de mandar espancar”). Os protestos estenderam-se ao centro e a outras partes de Istambul.

Neste domingo, a polícia voltou a atuar violentamente, em Istambul, contra os manifestantes que não desmobilizam e prosseguem os protestos. A polícia tenta impedir os manifestantes, com gás lacrimogéneo e canhões de água, de voltarem a se concentrarem no parque, na praça Taksim e nas zonas adjacentes.

Em declarações à televisão, o ministro turco dos Assuntos Europeus, Egemen Bagis, afirmou: “A partir deste momento, lamentavelmente o Estado terá que considerar qualquer pessoa que se junte (na praça ou no parque) como membro de uma organização terrorista”. Por sua vez, o governador de Istambul, Huseyin Avni Mutlu, declarou em conferência de imprensa: “Não vamos permitir, em nenhuma circunstância, qualquer reunião de pessoas em Taksim. Estamos a tomar medidas de segurança nesse sentido. Peço às pessoas: Não vão a Taksim”.

Na tarde deste domingo, milhares de partidários do primeiro-ministro turco, Erdogan, e do seu partido AKP juntaram-se num parque na zona sul de Istambul. Erdogan afirmou no comício: “Ontem, a operação foi levada a cabo e limpámos [o parque Gezi], como era minha obrigação como primeiro-ministro”.

Simultaneamente, em Ancara, a capital do país, milhares de pessoas juntaram-se para homenagear Ethem Sarisuluk, um jovem de 27 anos assassinado com um tiro na cabeça por um polícia. A polícia atacou a marcha dos familiares, amigos e manifestantes com bastões, gás lacrimogéneo e canhões de água.

Os protestos contra o governo e a violência policial estenderam-se a outras cidades, como Esmirna e Adana.

Desde o início dos protestos já morreram cinco pessoas e mais de cinco mil ficaram feridas.

Num mensagem enviada à imprensa, Andrew Gardner da Amnistia Internacional, afirma: “O gás lacrimogéneo nunca deveria ser usado em espaços fechados, onde representa um grave risco para a saúde. Isto viola os padrões internacionais dos direitos humanos e os próprios regulamentos turcos sob o uso da força”.

No comunicado da Amnistia Internacional é ainda afirmado: “Após uma noite de escandalosa violência policial, as autoridades estão a negar o devido processo judicial a quem foi detido. A polícia deve libertá-los imediatamente ou revelar o seu paradeiro e permitir o acesso a familiares e advogados”.