Duas das maiores centrais sindicais turcas (KESK, que representa 240 mil funcionários públicos, e DISK) convocaram uma Greve Geral na Turquia para esta segunda-feira, para exigir ao governo o fim imediato da violência policial. Mustafa Turgut, porta-voz da KESK, disse à Reuters: “Já tínhamos tomado a decisão de declarar greve geral se houvesse intervenção no parque”. A KESK espera que outras associações sociais adiram à greve.
Na noite deste sábado, a polícia turca expulsou violentamente os manifestantes da praça Taksim e do parque Gezi em Istambul. (Leia testemunho Turquia: “Estou num país onde um homem tem o direito de mandar espancar”). Os protestos estenderam-se ao centro e a outras partes de Istambul.
Neste domingo, a polícia voltou a atuar violentamente, em Istambul, contra os manifestantes que não desmobilizam e prosseguem os protestos. A polícia tenta impedir os manifestantes, com gás lacrimogéneo e canhões de água, de voltarem a se concentrarem no parque, na praça Taksim e nas zonas adjacentes.
Em declarações à televisão, o ministro turco dos Assuntos Europeus, Egemen Bagis, afirmou: “A partir deste momento, lamentavelmente o Estado terá que considerar qualquer pessoa que se junte (na praça ou no parque) como membro de uma organização terrorista”. Por sua vez, o governador de Istambul, Huseyin Avni Mutlu, declarou em conferência de imprensa: “Não vamos permitir, em nenhuma circunstância, qualquer reunião de pessoas em Taksim. Estamos a tomar medidas de segurança nesse sentido. Peço às pessoas: Não vão a Taksim”.
Na tarde deste domingo, milhares de partidários do primeiro-ministro turco, Erdogan, e do seu partido AKP juntaram-se num parque na zona sul de Istambul. Erdogan afirmou no comício: “Ontem, a operação foi levada a cabo e limpámos [o parque Gezi], como era minha obrigação como primeiro-ministro”.
Simultaneamente, em Ancara, a capital do país, milhares de pessoas juntaram-se para homenagear Ethem Sarisuluk, um jovem de 27 anos assassinado com um tiro na cabeça por um polícia. A polícia atacou a marcha dos familiares, amigos e manifestantes com bastões, gás lacrimogéneo e canhões de água.
Os protestos contra o governo e a violência policial estenderam-se a outras cidades, como Esmirna e Adana.
Desde o início dos protestos já morreram cinco pessoas e mais de cinco mil ficaram feridas.
Num mensagem enviada à imprensa, Andrew Gardner da Amnistia Internacional, afirma: “O gás lacrimogéneo nunca deveria ser usado em espaços fechados, onde representa um grave risco para a saúde. Isto viola os padrões internacionais dos direitos humanos e os próprios regulamentos turcos sob o uso da força”.
No comunicado da Amnistia Internacional é ainda afirmado: “Após uma noite de escandalosa violência policial, as autoridades estão a negar o devido processo judicial a quem foi detido. A polícia deve libertá-los imediatamente ou revelar o seu paradeiro e permitir o acesso a familiares e advogados”.