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Turquia retalia na Síria a morte de 33 soldados e ameaça abrir fronteiras a refugiados

Depois da morte de 33 soldados turcos em bombardeamentos na região de Idlib, a Turquia retaliou matando pelo menos 16 pessoas. Para além disso, o governo de Ancara ameaça abrir as fronteiras e deixar chegar à Europa os milhões de refugiados que estão no seu país. Erdogan procura pressionar Bruxelas a tomar o seu lado no conflito.
Refugiados dirigem-se à zona de fronteira entre Turquia e Grécia. Fevereiro de 2020.
Refugiados dirigem-se à zona de fronteira entre Turquia e Grécia. Fevereiro de 2020.Foto de TOLGA BOZOGLU/EPA/LUSA.

Na quinta-feira, um ataque aéreo na Síria matou 33 soldados turcos, elevando para 54 o número de baixas fatais do exército turco neste país desde o início do mês. Outros 32 terão ficado feridos.

A ofensiva do exército do governo sírio em Idlib é apoiada pelas forças russas. Mas o governo russo distanciou-se cuidadosamente deste ataque, dizendo que não teve qualquer responsabilidade nele e que, depois de ter sabido das baixas do lado turco, tomou “todas as medidas necessárias para fazer com que as forças sírias cessassem fogo”.

Contudo, o ministro da Defesa da Rússia tratou também de justificar o sucedido, alegando que os soldados turcos se encontravam no meio de “formações de batalha terroristas” e numa área, em Behun, onde supostamente não deveria haver soldados turcos.

Ao mesmo tempo, a Rússia anunciou ainda o envio de duas fragatas da frota do mar negro para com mísseis de cruzeiro.

Retaliação

O lado turco retaliou este ataque bombardeando em seguida diversas posições sírias em Idlib. O porta-voz da presidência, Fahrettin Altun, emitiu um comunicado no qual dizia mesmo que “todas as posições conhecidas do regime foram atacadas pelas nossas unidades terrestres e aéreas”. Nestes ataques, 16 soldados terão sido mortos segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

O presidente Erdogan convocou uma reunião de emergência do conselho de segurança e o governo tratou de fazer saber à agência noticiosa turca Anadolu que contactou o secretário geral da Nato e o conselheiro de segurança norte-americano sobre este tema.

A Turquia tem enviado milhares de tropas para o país vizinho de forma a apoiar os grupos seus aliados que têm estado a recuar no último bastião que o regime sírio não controla. A exceção recente foi a retomada de Sarabeq pelas forças apoiadas pelos turcos, enquanto que a sul o exército fiel a Assad continuou a avançar.

A ofensiva do governo sírio tinha levado já o governo de Ancara a dizer que irá intervir militarmente no país vizinho se Assad não retirar das zonas que recentemente reconquistou.

Os refugiados como arma

Esta ofensiva fez com que cerca de um milhão de pessoas fugissem das zonas em que habitvam, tendo muitas tentado entrar na Turquia para fugir aos combates. Este país fechou as fronteiras a esta nova vaga de refugiados e diz que já há 3,6 milhões de sírios no seu território que pretendem chegar à Europa.

Esta sexta-feira, o governo turco voltou a ameaçar deixar passar para a Europa os refugiados que vivem no seu território, quebrando o acordo que tem com a União Europeia desde 2016. Fonte militar turca não identificada fez saber que a polícia, guarda-costeira e patrulhas de fronteira passarão a ter ordens para deixar passar os sírios.

O anúncio é visto como uma forma de pressão face à União Europeia para tomar o seu lado na disputa. A agência noticiosa Demirören mostrou esta sexta-feira imagens de centenas de pessoas a dirigir-se à fronteira com a Bulgária. Este país e a Grécia levaram o anúncio a sério e reforçaram as medidas de controlo das fronteiras.

Por sua vez, a ACNUR, Alto Comissariado da ONU para os Refugiados anunciou que não notou movimentos significativos de refugiados na região.

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