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Tsipras: “Não vamos votar para dosear a austeridade, vamos votar para eliminá-la”

Durante o Congresso do Die Linke em Berlim, o candidato da Esquerda Europeia, Alexis Tsipras, afirmou que a esquerda irá “quebrar o muro da austeridade que foi construída pelos 3 mosqueteiros: os conservadores, os liberais e os sociais-democratas”. O líder da Syriza apelou ainda ao voto nas eleições europeias, frisando que “devemos votar contra as forças políticas que contribuíram para a Europa não democrática, neoliberal, do medo e dos memorandos da troika”.
Foto de Die Linke

Numa sala cheia, e depois da eleição da nova direção política do Die Linke na capital alemã, Alexis Tsipras saudou o congresso e submeteu votos de coragem e força na batalha pela rutura com as políticas da senhora Merkel.

“Estamos a poucos dias das eleições europeias mais importantes da história da União Europeia”, avançou Tsipras, frisando que neste ato eleitoral vamos “votar para redefinir a relação de força na Europa, que se encontra numa encruzilhada crítica”. O candidato da Esquerda Europeia adiantou que nestas eleições há um dilema que é colocado a todos os eleitores: “o dilema é claro: Ou estamos com a Europa dos povos ou estamos com a Europa dos bancos”, referiu Tsipras, acrescentando que “ou estamos com a Esquerda Europeia ou estamos com a senhora Merkel”.

Comentando as sondagens europeias, que preveem um forte crescimento da esquerda radical por toda a Europa, Alexis Tsipras afirmou que “agora chegou a hora da esquerda, chegou a hora da democracia”. “Agora é o tempo da mudança”, enfatizou ainda o candidato à presidência da CE. Perante os camaradas do Die Linke, Alexis Tsipras recuperou uma máxima das esquerdas na Europa, dizendo que “uma outra Europa não é só o nosso slogan, é a exigência de cada cidadão e cada cidadã”.

“Trazemos a esperança de cada cidadão e de cada cidadã cuja paciência esgotou e que não aguenta mais austeridade, que não tolera mais o medo”, declarou Tsipras, deixando um ultimato em estilo de promessa ao dizer que “vamos quebrar o muro da austeridade que foi construída pelos 3 mosqueteiros: os conservadores, os liberais e os sociais-democratas”.

Os liberais, conservadores e sociais-democratas destruíram a Europa

O líder da Syriza fez um ultimato aos Partidos Socialistas europeus que ultimamente têm contestado a austeridade e advertiu que “nos próximos dias não vamos votar para dosear a austeridade. Vamos votar para terminá-la imediatamente.” Alexis Tsipras acusou Jean-Claude Juncker do Partido Popular Europeu (PPE) de ter “graves responsabilidades políticas no falhanço das políticas de austeridade”. Há que relembrar que Juncker, candidato do PPE (no qual estão integrados o PSD e o CDS-PP) presidiu o Eurogrupo em todas as reuniões do memorando da troika e foi um dos paladinos da austeridade.

Referindo-se ao candidato do Partido Socialista Europeu, Martin Schulz, Alexis Tsipras disse que “o senhor Schulz, que assumiu a presidência do Parlamento Europeu depois de uma negociação política entre os conservadores e os sociais-democratas” demonstrou ser “igual na essência ao seu antecessor”. Sobre o candidato dos liberais, Tsipras disse que é atrás de Guy Verhofstadt que se “esconde Olli Rehn”, que foi o “símbolo da dura austeridade da Europa”. “É por isso que qualquer voto no Juncker, Schultz e em Verhofstadt é um sim à continuidade da austeridade” e frisou que “qualquer decisão de abstenção, por qualquer razão respeitável, é um inesperado sim à continuidade da austeridade”. “Devemos votar contra as forças políticas que contribuíram para a Europa não democrática, neoliberal, do medo e dos memorandos da troika”.

Combater a abstenção para combater a crise

No final da sua intervenção, Tsipras dirigiu-se aos abstencionistas e aos indecisos, afirmando que “os primeiros a votarem devem ser as vítimas da crise” e que “não podemos perder esta oportunidade”. “Agora podemos e devemos virar a Europa à esquerda”, frisou.

“O cidadão alemão, finlandês ou holandês iria tolerar no seu país um desemprego oficial de 30%? Uma crise humanitária sem precedentes num país europeu? Crianças a desmaiarem de fome nas escolas? Pequenos empresários a suicidarem-se por causa das dívidas? Reformados sem dinheiro para comprar os medicamentos? Mostrem-me um país europeu cujos cidadãos iriam tolerar estas condições de vida”, avançou Tsipras.

“Descrevem isto como uma história de sucesso?” interrogou.

“Foi na Grécia que teve início o círculo negro vicioso da austeridade e do desespero social. Será na Grécia que um novo ciclo de mudança irá começar” , rematou Alexis Tsipras.

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