Transportes: menos cortes e mais aumentos em fevereiro

20 de janeiro 2012 - 11:19

O Governo negociou com a Junta Metropolitana de Lisboa os cortes nos transportes da capital. A proposta final acaba com seis carreiras da Carris, mantém as suburbanas e o elétrico 18, que vê encurtado o seu trajeto. Uma coisa é certa: as tarifas voltam a aumentar no em fevereiro.

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Menos transportes e mais caros continua a ser a proposta do Governo para a Área Metropolitana de Lisboa. Foto Paulete Matos.

O preço das novas tarifas deverá ser conhecido até sábado, uma vez que para entrarem em vigor no dia 1 de fevereiro terão de ser divulgados com dez dias de antecedência, como a lei obriga. Em Agosto do ano passado, o Governo aumentou em média 15% o valor as tarifas.



As propostas do grupo de trabalho nomeado pelo Governo encontraram grande oposição quer dos utentes quer dos autarcas da região de Lisboa. Ao fim das negociações, a Junta Metropolitana deu luz verde a uma proposta muito diferente da original. As ligações da Transtejo que o grupo de trabalho queria encerrar vão manter-se, embora os horários devam mudar nos trajetos que ligam a capital ao Seixal e ao Montijo.



Por outro lado, os cortes propostos nas carreiras da Carris também foram recusados pelos autarcas e a proposta final apresenta agora o fim de seis carreiras que circulam apenas no concelho: 10, 777, 790, 797, 203 e 205. Quanto ao elétrico 18, a nova proposta quer mantê-lo a circular, mas apenas entre o Cemitério da Ajuda e o Calvário, deixando de fazer a ligação à baixa de Lisboa. Para a próxima terça-feira, 24 de janeiro às 16h30, está marcado um protesto de utentes junto ao terminal do elétrico na Ajuda.



A proposta acordada com a Junta Metropolitana também traz cortes na circulação do metro, mas não no horário. O tempo de espera no horário noturno vai aumentar, a velocidade de circulação vai diminuir e serão apenas três carruagens a circular à noite, fim de semana e feriados, ou mesmo todo o dia no caso da Linha Verde.



Para o vereador da Mobilidade lisboeta, Fernando Nunes da Silva, estas alterações "são aceitáveis nesta conjuntura", enquanto o presidente da Junta Metropolitana e autarca comunista no Barreiro, Humberto Carvalho, diz que "a solução não é boa mas é aceitável", ao contrário da primeira proposta apresentada pelo grupo de trabalho.



O porta-voz do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos disse à agência Lusa que "apesar das alterações positivas, considero, no que diz respeito ao Metro, que continuamos a ter propostas negativas como a redução de carruagens e do limite de velocidade, o que vai criar um maior espaço na circulação do metro". Para Carlos Braga, "na Carris continua a haver a supressão de um conjunto significativo de carreiras nos autocarros, encurtamentos de percursos, e alterações à circulação dos comboios" que criarão mais problemas de mobilidade à população.