O Governo, com este Orçamento do Estado, "confirmou as suas prioridades: a recessão e o desemprego". Numa declaração efectuada no final da reunião da comissão política do Bloco, que analisou a proposta do Orçamento, as alterações à legislação laboral e a crise do euro, Marisa Matias disse que "há uma radicalização das políticas do Governo para as áreas sociais e o Bloco de Esquerda recusa em absoluto a proposta de regime de trabalho gratuito”.
Para a eurodeputada do Bloco, “esta medida é imposta aos trabalhadores, quer por via dos contratos individuais, quer por via das empresas individualmente, ou ainda através da decisão unilateral do patronato".
“Estas medidas são inéditas. Nenhum país europeu no último século aumentou o horário de trabalho e impôs o trabalho gratuito aos seus trabalhadores”, pode ler-se na resolução da comissão política.
Numa alusão às propostas da maioria de direita para a alteração das leis do trabalho, como o aumento semanal do horário de ou os despedimentos mais baratos, a dirigente do Bloco considerou que assim “se demonstra que estas medidas nada têm a ver com combate ao défice ou à dívida. Essa é a maior mentira que tem sido vendida pelo Governo aos trabalhadores".
Reagindo às declarações do ministro da Economia, segundo a qual o aumento do horário de trabalho representava uma lufada de ar fresco para a competitividade das empresas, a eurodeputada disse que “estamos a falar antes de um assalto aos trabalhadores". “Aquilo que o ministro chama lufada de ar fresco é um balde de água fria para os portugueses”, acrescentou.
A volátil situação da Grécia, um dia depois da convocação de um referendo sobre o plano europeu para a crise, também foi abordada. “O que se está a passar mostra, de forma muito clara, a dimensão da crise política que se vive na Grécia e o falhanço da política de austeridade e isso é um recado muito forte para o Governo português”, concluiu Marisa Matias.