Trabalhadores finlandeses em greve contra ataque da direita a direitos laborais

02 de fevereiro 2024 - 19:16

A coligação de direita e extrema-direita no poder quer cortar na Segurança Social, limitar o direito à greve, alterar regras da contratação coletiva e facilitar despedimentos. Neste campo político chama-se aos sindicatos “máfia”. Centenas de milhares fizeram uma greve de dois dias em resposta.

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Manifestação em Helsínquia esta quinta-feira.Foto da SAK.
Manifestação em Helsínquia esta quinta-feira.Foto da SAK.

O governo finlandês de coligação entra a direita e a extrema-direita planeia fazer cortes graves nas prestações da Segurança Social, como reduzir subsídios de desemprego, não pagar o primeiro dia de baixa por doença, alterar as regras da contratação coletiva para implementar acordos laborais locais em vez de centralizados, limitar o direito à greve e facilitar despedimentos. Como resposta, esta quinta e sexta-feira, milhares de trabalhadores fizeram greve e saíram às ruas.

Jarkko Eloranta, dirigente da SAK, a maior central sindical do país, declarou à Reuters que “o plano do Governo é a sangue frio. Primeiro, o direito à greve será severamente restringido e, depois, serão efetuados cortes drásticos”. Por isso, os sindicatos prometem continuar a luta se o Governo não recuar. Este contrapõe, como seria de esperar, que se trata de “aumentar a produtividade” e “cortar a dívida”. O ministro do Emprego, Arto Satonen, afirma que as greves são lamentáveis mas as reformas são “imperativas” para “fortalecer” a economia. Em Bruxelas, na cimeira europeia, o primeiro-ministro Petteri Orpo acrescentou que as greves são “excessivas e irracionais” porque “causam grandes perdas à economia nacional finlandesa numa situação económica difícil”. Mais radical na retórica anti-greve foi um deputado do seu partido, o Partido da Coligação Nacional, que na rede social X escreveu, sem apresentar quaisquer provas, que tinham sido pagos “subornos” aos manifestantes para participarem na manifestação de quinta-feira. Houve também ministros que chamaram aos sindicatos uma “máfia”.

Nas ruas de Helsínquia manifestaram-se pelo menos 13.000 trabalhadores, segundo as estimativas da polícia, sendo um dos maiores protestos laborais dos últimos tempos no país. As jornadas de luta são organizadas quer pela SAK, a Organização Central dos Sindicatos Finlandeses quer pela STTK, a Confederação de Profissionais Finlandeses. E estima-se que só na quinta-feira três centenas de milhares de pessoas tenham paralisado.

Nesta sexta-feira, de acordo com o Euronews, terá sido o setor dos transportes o mais afetado, parando comboios, autocarros, elétricos, barcos e ligações aéreas. Isto para além de outros setores como as empresas de limpeza, os serviços postais, a construção civil, fábricas, minas e refinarias.

A mobilização decorre durante a campanha eleitoral da segunda volta das eleições presidenciais que serão decididas a 11 de fevereiro.

A mesma fonte dá conta da preocupação com que os sindicatos encaram a crescente sanha do governo e da direita contra os sindicatos. Pekka Ristelä, dirigente do SAK, expressa naquele órgão de comunicação social internacional que “é perigoso se começamos a ver agentes sociais reconhecidos internacionalmente e estabelecidos como uma “máfia” e a usar este tipo de rótulos”. À campanha da direita contra as “greves políticas” responde que “os tratados internacionais, em particular a OIT, têm regras específicas sobre que tipo de greves políticas devem ser permitidas e as greves políticas são dirigidas contra políticas governamentais que têm um efeito nos trabalhadores”.