No Orçamento da Câmara Municipal de Lisboa, há milhões de euros destinados para o evento privado Web Summit. A mesma verba que “foi retirada” ao investimento da Carris para o próximo ano. A denúncia foi feita pelo vereador bloquista Ricardo Moreira na passada sexta-feira e é agora reafirmada pelos trabalhadores da empresa.
Menos 4 milhões euros na Carris
Mais 4 milhões euros para a Web Summit
Esta é a política de Moedas para Lisboa:
Não tens autocarro?
Vai de unicórnio pic.twitter.com/HWsXCXEGKe— Ricardo Moreira (@ricardosmoreira) October 27, 2024
Nas contas do STRUP, Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, a verba que a empresa de transportes perdeu daria para aumentar o salário de cada trabalhador em 109 euros.
A estrutura sindical desconfia da “desculpa” apresentada de que o investimento será coberto com fundos europeus, escrevendo em comunicado “a ver vamos se será” e acrescentando que, de qualquer forma, “representa, uma transferência inadmissível, de investimento na Carris e nos seus trabalhadores, diretamente para um evento de natureza privada”.
Rejeita-se assim “em absoluto” o princípio na base da decisão, defendendo-se que o executivo municipal “deveria ter como preocupação o investimento no transporte público e na melhoria das condições de trabalho dos trabalhadores, essenciais para o colocarem em funcionamento e não os interesses privados que se movem em eventos como o Web Summit”.
Assim, apesar da redução anunciada de verbas, o STRUP sublinha que não vai limitar as reivindicações que apresentará no processo de negociação do Acordo de Empresa. Entre estas, destaque para a proposta de um aumento real dos salários, de 15%, no mínimo de 150 euros para cada trabalhador, a “evolução” para as 35 horas e “consideração” do pagamento em extraordinário das deslocações, a criação de um subsídio compensatório para os trabalhadores dos setores fixos e o aumento do subsídio de refeição para 15 euros.
A “transferência para os privados do que devia vir para a Carris” será, acrescenta-se, discutida com os trabalhadores nos próximos dias “de modo a tornar visível o protesto dos trabalhadores”, apelando-se “desde já” a que os trabalhadores “levem a sua indignação à rua”.