"Com cortes de 30 por cento, não fazemos serviço público, há despedimentos e a viabilidade da empresa fica em risco", disse um elemento da Comissão de Trabalhadores (CT).
A CT da Lusa foi recebida na passada quarta-feira pelo ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que confirmou ser intenção do Governo cortar 30 por cento do financiamento do Estado à agência noticiosa, no âmbito do contrato-programa para 2013, que passaria a ser de 10,8 milhões de euros anuais.
Várias dezenas de trabalhadores da Lusa concentraram-se numa vigília junto à sede da empresa em Lisboa, empunhando cartazes e afixando mensagens nas paredes do edifício em defesa da manutenção do serviço público e dos trabalhadores da agência. Entre as mensagens, destacavam-se as seguintes: "A Nossa Causa: O Serviço Público!", "Lusa: A Fazer Serviço Público desde 1987", "Contra os despedimentos", "Cortem 30% nas cigarras e deixem as formigas trabalhar" e "Não destruam a Lusa".
“Uma Lusa enfraquecida representa um risco para a democracia”
O Sindicato de Jornalistas (SJ) destaca "o papel fundamental e estratégico" da Lusa "no espaço de língua portuguesa e na difusão internacional da cultura portuguesa e lusófona". Fernando Valdez, representante do sindicato, considera que o corte de 30 por cento pode comprometer postos de trabalho, a começar pelos avençados e trabalhadores à peça, os precários, mas sublinha que os despedimentos poderão afetar os restantes trabalhadores, apesar das garantias dadas por Miguel Relvas.
Desta forma, também o papel da rede nacional de colaboradores, considerado “essencial" para a garantia do serviço público da Lusa “fica ameaçado”, salienta um correspondente do interior norte do país, que se deslocou propositadamente a Lisboa para se juntar à vigília. "A minha preocupação é a manutenção da rede nacional que é a espinha dorsal desta casa. Há um papel de serviço público que é tão mais necessário quanto mais se caminha para a periferia e para o interior. A Lusa é o transmissor das necessidades e anseios das gentes do interior", afirma Francisco Pinto.
O representante do Conselho de Redação Tomás Quental defende que "uma Lusa enfraquecida nos seus meios e capacidades representa um risco para o bom funcionamento do regime democrático e pode prejudicar o pluralismo informativo de que a Lusa é uma das garantes".
"Apelamos ao Governo, aos partidos políticos com assento parlamentar e ao Presidente da República para que não deixem a Lusa cair num processo de descapitalização que afetaria o serviço público noticioso e de informação que está previsto na lei", frisou Tomás Quental.
A CGTP já se manifestou "solidária com a luta dos trabalhadores da Lusa".
A vigília decorre na véspera de um plenário de trabalhadores.
Trabalhadores da Lusa em vigília contra cortes e despedimentos
08 de outubro 2012 - 18:41
Os trabalhadores da agência Lusa manifestaram-se esta segunda-feira em vigília contra o corte de 30 por cento no financiamento da agência pelo Estado, algo que coloca "em risco" o serviço público e os postos de trabalho.
PARTILHAR
Fernando Valdez, representante do sindicato, considera que os despedimentos poderão afetar os trabalhadores do quadro, apesar das garantias dadas por Miguel Relvas.