Trabalhadores da Lusa em vigília contra cortes e despedimentos

08 de outubro 2012 - 18:41

Os trabalhadores da agência Lusa manifestaram-se esta segunda-feira em vigília contra o corte de 30 por cento no financiamento da agência pelo Estado, algo que coloca "em risco" o serviço público e os postos de trabalho.

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Fernando Valdez, representante do sindicato, considera que os despedimentos poderão afetar os trabalhadores do quadro, apesar das garantias dadas por Miguel Relvas.

"Com cortes de 30 por cento, não fazemos serviço público, há despedimentos e a viabilidade da empresa fica em risco", disse um elemento da Comissão de Trabalhadores (CT).



A CT da Lusa foi recebida na passada quarta-feira pelo ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que confirmou ser intenção do Governo cortar 30 por cento do financiamento do Estado à agência noticiosa, no âmbito do contrato-programa para 2013, que passaria a ser de 10,8 milhões de euros anuais.



Várias dezenas de trabalhadores da Lusa concentraram-se numa vigília junto à sede da empresa em Lisboa, empunhando cartazes e afixando mensagens nas paredes do edifício em defesa da manutenção do serviço público e dos trabalhadores da agência. Entre as mensagens, destacavam-se as seguintes: "A Nossa Causa: O Serviço Público!", "Lusa: A Fazer Serviço Público desde 1987", "Contra os despedimentos", "Cortem 30% nas cigarras e deixem as formigas trabalhar" e "Não destruam a Lusa".



“Uma Lusa enfraquecida representa um risco para a democracia”



O Sindicato de Jornalistas (SJ) destaca "o papel fundamental e estratégico" da Lusa "no espaço de língua portuguesa e na difusão internacional da cultura portuguesa e lusófona". Fernando Valdez, representante do sindicato, considera que o corte de 30 por cento pode comprometer postos de trabalho, a começar pelos avençados e trabalhadores à peça, os precários, mas sublinha que os despedimentos poderão afetar os restantes trabalhadores, apesar das garantias dadas por Miguel Relvas.



Desta forma, também o papel da rede nacional de colaboradores, considerado “essencial" para a garantia do serviço público da Lusa “fica ameaçado”, salienta um correspondente do interior norte do país, que se deslocou propositadamente a Lisboa para se juntar à vigília. "A minha preocupação é a manutenção da rede nacional que é a espinha dorsal desta casa. Há um papel de serviço público que é tão mais necessário quanto mais se caminha para a periferia e para o interior. A Lusa é o transmissor das necessidades e anseios das gentes do interior", afirma Francisco Pinto.



O representante do Conselho de Redação Tomás Quental defende que "uma Lusa enfraquecida nos seus meios e capacidades representa um risco para o bom funcionamento do regime democrático e pode prejudicar o pluralismo informativo de que a Lusa é uma das garantes".



"Apelamos ao Governo, aos partidos políticos com assento parlamentar e ao Presidente da República para que não deixem a Lusa cair num processo de descapitalização que afetaria o serviço público noticioso e de informação que está previsto na lei", frisou Tomás Quental.



A CGTP já se manifestou "solidária com a luta dos trabalhadores da Lusa".



A vigília decorre na véspera de um plenário de trabalhadores.