"Reduzir as verbas entregues à Lusa para compensar o serviço público antes de este estar definido é subverter completamente a filosofia subjacente ao contrato de serviço público do Estado com a Lusa", diz o comunicado do plenário de trabalhadores da agência de notícias.
O contrato anterior previa um financiamento de 15 milhões, mas Miguel Relvas diz que o Governo só vai dar 10,8 milhões de euros no próximo ano. Os trabalhadores lembram que "o valor do contrato de prestação do serviço noticioso de interesse público decorre das obrigações estabelecidas no contrato programa do Estado com a Lusa e visa compensar os custos da prestação de serviços contratados com o Estado português". E dizem que os cortes se baseiam "numa lógica meramente economicista" que trará "evidentes prejuízos para os interesses do Estado e da sociedade portuguesa, incluindo no plano económico".
A decisão do plenário foi de pôr em marcha as formas de luta já na próxima semana, solicitando audiências aos vários órgãos de soberania, solicitando aos sindicatos a emissão de um pré-aviso de greve e agendando um novo plenário para o dia 9 de outubro, para então marcar as datas da paralisação da agência.
Para além disso, os trabalhadores da Lusa decidiram convocar para o dia 8 uma vigília à porta da agência, "convidando a comunicação social, nacional e estrangeira, a estar presente". Na semana passada, a Comissão de Trabalhadores reuniu com o presidente da empresa sobre as notícias que davam conta de "cortes radicais" no financiamento da Lusa. Afonso Camões admitiu nessa reunião que a administração tem "enormes dificuldades de cobrança, sobretudo junto dos grandes clientes" e que com estes cortes será necessário "renegociar salários, efectuar rescisões amigáveis e/ou extinguir postos de trabalho”.
Trabalhadores da Lusa avançam para a greve
03 de outubro 2012 - 19:27
Reunido esta quarta-feira, o plenário de trabalhadores da Lusa decidiu contestar o corte de 30% no financiamento para 2013, anunciado pelo ministro Miguel Relvas na reunião com a Comissão de Trabalhadores. O protesto arranca com uma vigília e com greves a agendar na próxima semana.
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