Trabalhadores com salários penhorados lutam pela sobrevivência

04 de março 2012 - 14:36

Em janeiro existiam cerca de 100 mil trabalhadores com salários penhorados. Muitos passarão toda a sua vida a pagar prestações sem conseguir liquidar a dívida na totalidade. Instituições alertam para o facto de alguns trabalhadores não conseguirem satisfazer as suas necessidades mais básicas.

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Foto de Paulete Matos.

Segundo Carlos de Matos, presidente do Colégio da Especialidade dos Agentes de Execução,  "a penhora de vencimentos e de outro tipo de bens tem vindo a aumentar significativamente".

"Há financiamentos que cobram juros elevadíssimos, na ordem dos 20 ou 30 por cento, e por vezes a penhora do vencimento não cobre sequer os juros mensais, o que faz com que o executado ande toda a vida a pagar sem nunca conseguir cobrir o valor na totalidade", relata Carlos de Matos.

Em janeiro, mais de 100 mil trabalhadores tinham o seu salário penhorado. De acordo com dados do Ministério da Justiça, mais de nove mil pessoas já declararam insolvência. Existem trabalhadores com dívidas que chegam aos milhares de euros e outros com quantias que não conseguem liquidar que não ascendem a 300 euros.

No caso de processos em que o devedor está desempregado, os agentes de cobrança chegam, inclusive, a recolher os móveis de casa. 

Famílias vivem situações dramáticas



Muitas pessoas estão, neste momento, a viver situações muito dramáticas. Segundo a Cáritas, em 2011 chegaram a esta instituição uma média de 250 pedidos de ajuda por dia. Existem cerca de 93 mil pessoas a precisar de ajuda imediata e permanente.

As instituições de solidariedade social já estão, contudo, a ter enormes dificuldades em fazer face ao crescimento exponencial de pedidos de apoio com que estão a ser confrontadas, deixando as famílias sem ter a quem recorrer.

Famílias não têm condições para cuidar dos mais idosos

A degradação da sua situação económica está a impedir muitas famílias de retirar os mais idosos dos hospitais após a alta clínica, conforme informam os serviços sociais hospitalares.

“A nossa realidade mostra que a maior parte das famílias não abandona os seus idosos, procura sim respostas, que nem sempre surgem com a rapidez desejável para o doente, família e para o hospital”, segundo os Hospitais da Universidade de Coimbra.

Além do aumento do número de situações, tem-se “registado também atualmente uma demora maior, por parte da Segurança Social, na resposta a estas situações, o que traz um acréscimo de dias de internamento apenas por motivo social”, disse à Lusa a coordenadora do Serviço Social do hospital Amadora-Sintra.

Perto de 700 utentes aguardavam, em dezembro de 2011, a entrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados, a maioria (52%) na região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT). O tempo estipulado para a avaliação de um doente deveria ser no máximo de três dias, contudo, o mesmo só é cumprido em 40% dos casos.