França

Todos condenados no processo das violações a Gisèle Pelicot

20 de dezembro 2024 - 11:22

A decisão do tribunal condenou a 20 anos de prisão o marido que a drogava e recrutava homens para a violarem. Os restantes 50 acusados tiveram penas de prisão entre os três e os 15 anos. Às vítimas que sofrem em silêncio, Gisèle diz que “partilhamos a mesma luta”.

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Gisèle Pelicot com um dos netos à saída do julgamento.
Gisèle Pelicot com um dos netos à saída do julgamento. Guillaume Horcajuelo/EPA

Ao fim de três meses e meio de audiências em tribunal com os 51 homens acusados de violarem Gisèle Pelicot ao longo de uma década enquanto esta tinha sido drogada com ansiolíticos pelo próprio marido, o veredito do tribunal de Vaucluse foi de condenação de todos os acusados com penas entre os três e os 20 anos de prisão.

Dominique Pelicot, o marido de Gisèle que recrutava na internet os homens para violarem a esposa previamente colocada sob o efeito de sedativos, filmando os atos sexuais, teve a pena mais severa de 20 anos de cadeia com obrigação de cumprir dois terços da pena.

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Dos restantes 50 acusados, com penas entre os tês e os 15 anos de prisão, 32 compareceram em tribunal em liberdade mas apenas seis saíram na mesma condição. A diferença nas penas de prisão explica-se pela quantidade de vezes - nalguns casos seis vezes - em que cada um dos acusados foi a casa dos Pelicot cometer o crime sexual ou por se ter provado que teriam conhecimento prévio de que Gisèle estaria drogada.

Acompanhada por filhos e netos e aplaudida pelas dezenas de pessoas, sobretudo mulheres, que se concentravam à porta do tribunal, Gisèle Pelicot agradeceu no final aos advogados, aos jornalistas e às pessoas que compareceram às sessões durante os últimos meses. Para as vítimas que permanecem em silêncio e não são reconhecidas, disse que ”quero que saibam que partilhamos a mesma luta”.

“Quando abri a porta a este julgamento, no dia 2 de setembro, queria que a sociedade pudesse participar no debate. Nunca me arrependi dessa decisão. Tenho confiança na nossa capacidade de agarrar coletivamente um futuro em que todos, mulheres e homens, possam viver em harmonia, com respeito e compreensão mútuos”, prosseguiu Gisèle.

A reação fora do tribunal à medida que iam sendo anunciadas as penas dos acusados era de desilusão e alguma raiva, por serem inferiores ao que muitas das mulheres presentes consideravam ser justo. “Hoje, a vergonha mudou de lado, mas a luta contra a impunidade apenas começou”, afirmou Anne-Cécile Mailfert, num comunicado da organização Fondation des Femmes, em que também defendeu a urgência da adoção de “uma lei-quadro para uma proteção abrangente contra a violência sexual e baseada no género”.

Para além dos possíveis recursos, o caso judicial vai prosseguir ainda com uma audiência para fixar os montantes das indemnizações por danos morais, marcada para o próximo dia 3 de março.