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TikTok bombardeia jovens com vídeos misóginos

Uma investigação do The Observer revelou que o TikTok está a promover conteúdo misógino para jovens, apesar de alegar bani-lo.
Foto de Solen Feyissa, Flickr.

Vídeos de Andrew Tate, que foi criticado por ativistas contra a violência doméstica por normalizar visões extremas e ultrapassadas sobre as mulheres, estão entre os conteúdos que o algoritmo envia aos utilizadores a partir da página inicial do For You.

O The Observer, que está associado ao jornal The Guardian, fez uma experiência por forma a perceber quais os conteúdos que estão a ser veiculados entre os jovens, com idades a partir dos 13 anos. Para esse efeito, foi criada uma conta do TikTok para um adolescente imaginário, com nome e data de nascimento falsos.

A partir do momento em que este adolescente fictício assistiu a vídeos direcionados, segundo o senso comum, a utilizadores do sexo masculino, o algoritmo começou a sugerir mais conteúdo que parecia ser adaptado para homens.

 

Sem que fosse colocado qualquer “gosto” ou pesquisado qualquer conteúdo de forma proativa, as sugestões incluíram vídeos de Andrew Tate, incluindo um de uma conta a imitar o perfil original com o nome de Tate e uma foto com a legenda “a dura realidade dos homens”, que parecia culpar o feminismo por tornar os homens miseráveis, acrescentando que a “maioria dos homens não tem dinheiro, nem poder, nem sexo da sua esposa”, e que suas vidas são “uma merda”. Após assistir a dois dos seus vídeos, o Tik Tok recomendou mais, incluindo vídeos de Andrew Tate com visões misóginas.

Na próxima vez que a conta foi aberta, as quatro primeiras publicações que apareceram foram de Tate, de quatro contas diferentes. O algoritmo também sugeriu vídeos do Dr. Jordan Peterson, um psicólogo canadiano conhecido pelas suas opiniões de direita; programas de coaching masculino e vídeos de ativistas dos direitos dos homens. Mas o conteúdo de Tate foi de longe o mais difundido.

Ao abrir a aplicação uma semana depois, a conta foi novamente inundada com conteúdo de Tate, com oito dos primeiros 20 vídeos sendo dele. Num dos vídeos, Andrew Tate afirma que a vida da maioria dos homens é uma merda porque eles “não têm poder” e nem “sexo da sua esposa”, e noutro ele descreve a sua namorada como estando “muito bem treinada”. Num terceiro vídeo, Tate refere que as pessoas que procuram de recorrer a serviços de saúde mental são “inúteis”. “Se você é o tipo de pessoa que sente que precisa de terapia, precisa de alguém para conversar, sabe o que é? Você é inútil. Porque nas realidades mais duras deste mundo frio há pessoas na Síria cujas famílias inteiras foram explodidas com uma bomba”.

Outro vídeo recomendado pelo algoritmo ridiculariza as pessoas por usarem máscaras durante a pandemia, dizendo que são “idiotas ou cobardes”.

Especialistas levantaram preocupações sobre a disseminação de conteúdo com Tate na plataforma, onde os seus vídeos foram assistidos 11,6 mil milhões de vezes.

“O perigoso é que é um conteúdo muito atraente, e o algoritmo TikTok em particular é tão agressivo que só é necessário determo-nos por alguns momentos perante determinado conteúdo para que a aplicação comece a recomendar conteúdo semelhante repetidamente”, alertou Callum Hood, chefe de investigação do Center for Countering Digital Hate.

Já o TikTok garante que “misoginia e outras ideologias e comportamentos de ódio não são tolerados” nesta aplicação, e que está a trabalhar para rever esse conteúdo e tomar medidas contra violações das suas diretrizes. “Procuramos continuamente fortalecer as nossas políticas e estratégias da aplicação, incluindo acrescentando mais salvaguardas ao nosso sistema de recomendação”, frisa.

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