Equador: Tentativa de golpe de Estado derrotada

30 de setembro 2010 - 23:51

O presidente Rafael Correa já foi resgatado pelo exército, depois de ter estado sequestrado durante 11 horas por polícias que se rebelaram. Militares golpistas chegaram a ocupar o aeroporto internacional e o Congresso.

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O presidente Rafael Correa foi libertado pela intervenção violenta do exército - Foto Epa/Lusa

A polícia equatoriana ocupou o quartel geral na capital do Equador, Quito, e gerou o caos não só na capital, mas também noutras cidades do país, como Guyaquil. Em simultâneo, 150 militares da força aérea ocuparam o aeroporto internacional de Quito e também a sede do Congresso do Equador. Na origem da acção da polícia está um decreto presidencial que limitou benefícios económicos aos polícias.

O governo decretou o estado de sítio e Rafael Correa, que foi operado recentemente a um joelho, dirigiu-se ao quartel geral da polícia. Neste quartel foi recebido com granadas de gás lacrimógeneo e dirigiu-se ao hospital da polícia para receber tratamento, mas foi sequestrado pelos polícias, que cercaram o edifício.

O governo ordenou também que todos os canais de televisão e rádio equatorianos interrompam a programação e exibam apenas o sinal dos meios estatais.

O chefe-maior das Forças Armadas, general Ernesto González, pediu à polícia e aos militares rebelados que interrompam os protestos e acatem o estado de sítio.

Milhares de pessoas manifestam-se na capital em apoio ao presidente e ao governo. A polícia já reprimiu algumas manifestações, havendo pelo menos uma pessoa morta.

Internacionalmente, a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou a tentativa de golpe e apelou ao respeito da Constituição. O Brasil, segundo o ministro Celso Amorim, quer "uma resposta firme e coordenada do Mercosul, da Unasul [União de Nações Sul-Americanas] e da OEA [Organização dos Estados Americanos], a fim de repudiar qualquer desrespeito à ordem constitucional naquele país irmão". Além de muitos países da América Latina, nomeadamente, Brasil, Venezuela, Colômbia e Peru, também a Espanha condenou a tentativa de golpe.

O presidente Rafael Correa foi libertado pela intervenção do exército, após 11 horas de sequestro.