O Bloco de Esquerda assumiu a derrota nos seus resultados eleitorais. Ao fim de 12 anos o Bloco teve a sua mais séria derrota.
Depois de em 2009 ter a sua maior vitória, ter duplicado a sua representação parlamentar de 8 deputados para 16, fruto de uma conjuntura difícil de crise económica internacional que rompeu no final de 2007, em que o neoliberalismo provou o sabor da derrota, em que o Bloco soube analisar correctamente e afirmar propostas e alternativas e procurou amplitude na sua política.
A «esquerda grande» foi a resposta ampliada acertada, da luta contra o pacote laboral, em defesa do Estado Social, das pensões, de uma pensão completa a quem tenha 40 de descontos independentemente da idade, do subsídio de desemprego, educação e o apoio às grandes movimentações sociais e às manifestações dos professores. O enlace em torno de Manuel Alegre foi muito importante nesta luta e contribuiu em muito para retirar a maioria absoluta ao PS e ampliar a influência e intervenção, nessa altura votaram no Bloco não só os descontentes do PS como pessoas que votavam PCP, PSD e até do CDS.
À contra-ofensiva neoliberal, à vitória relativa do PS nas eleições legislativas e aos PEC´s colocados no terreno, à ofensiva contra o Estado social e os seus níveis de protecção, subsídio de desemprego, abono de família, aumento da comparticipação dos medicamentos, cortes nos salários directos e indirectos e pensões, ofensiva contra a contratação colectiva e ao aumento do desemprego e precariedade, o Bloco teve dificuldades em se adaptar à nova situação, na resposta e na formulação de alternativa, fundamentalmente em conseguir passar a sua mensagem para as largas massas.
O Bloco de Esquerda perdeu massa crítica que tinha ganho nas eleições de 2009 e tão importante foram para o começo da construção da “esquerda grande”.
O CDS sobe polarizar ideologicamente a sua visão sobre as políticas sociais (RMG e pensões mínimas) onde a esquerda perdeu em toda a linha.
A burguesia portuguesa e internacional delineou a sua estratégica perante os 20% da esquerda à esquerda do PS obteve. Foi notório a preocupação sobre a subida do Bloco, num momento em que a viragem à direita da vida política em toda a Europa era e é esmagador.
Com a intervenção do Bloco a passar por dificuldades, bem como a sua mensagem política, vai-se perdendo o capital político ganho. As dificuldades das pessoas e alguns aderentes do BE aumentaram na compreensão e apoio, na altura, a Manuel Alegre, até pelo seu comportamento de reaproximação a Sócrates quando o ataque ao Estado social e à legislação laboral estava de novo em curso. Outras posições dividiram opiniões como a oportunidade da apresentação da moção de censura ao governo PS ou da ida ou não à Troika, interiorizando que lá ir poderíamos «negociar» alguma coisa mais favorável do que nos está ser imposto, nos poderia ser mais benéfico.
As pessoas também não perceberam a nossa posição diversa no parlamento europeu sobre a intervenção da NATO na Líbia. Quando não existe uma posição clara em relação à guerra, só dá confusão…
A burguesia viu nas dificuldades do Bloco a sua oportunidade e a decapitação dos principais dirigentes fundadores passou a ser uma prioridade. A renovação dos dirigentes tem vindo a ser feita mas planeamento da renovação dos fundadores e de toda a equipa dirigente tem de ser feita internamente no Bloco e não a partir do exterior.
Assistimos também, lamentavelmente, à capitulação de diversos, perante esta tentativa de decapitação.
O Bloco de Esquerda na sua fundação assumiu “começar de novo”, uma nova alternativa, onde nada esperava do PS nem ficava à espera do PCP, esse espaço político continua preenchido. Mas é importante aprofundar a sua pluralidade, a sua democracia, a afirmação anticapitalista e do socialismo das suas convicções, nas propostas e afirmações de alternativas.
Externamente e internamente querem-nos empurrar, para o desvirtuamento ou recentramento do papel do Bloco na sociedade. Querem transformar o movimento plural, socialista e popular nos “Verdes Alemães”, numa muleta do PS. Houve mesmo quem propusesse um primeiro ministro “independente” para toda a esquerda nas legislativas, talvez por viver noutro planeta. Quem assim propõe esquece as lições tiradas da participação política da Refundação Comunista de Itália no governo. Não pela sua participação mas pelas políticas que viabilizou com as consequências que todos nós conhecemos.
O Bloco tem pelos seus resultados obtidos um espaço na sociedade para continuar a ocupar que se fará não pela decapitação dos seus dirigentes mas pela sua afirmação alternativa e mensagem política clara e precisa, os trabalhadores e as pessoas esperam isso de nós perante a ofensiva anti-social e laboral que as Troikas nos querem impor.