No final da reunião da conferência de líderes parlamentares que agendou para a tarde desta quarta-feira o debate da moção de censura entregue pelo PCP, o líder da bancada parlamentar do Bloco afirmou que o partido irá aproveitar a oportunidade para colocar as questões que na segunda-feira enviou por escrito a Luís Montenegro.
“O país encontra-se nesta situação porque o primeiro-ministro insiste em não prestar os esclarecimentos que são devidos”, afirmou Fabian Figueiredo, acrescentando que “o país sabe hoje que teve um primeiro-ministro praticamente um ano sem estar em exclusividade de funções, o que é uma violação do estatuto dos cargos políticos e isso é grave”.
E enquanto Montenegro insiste nas suas aparições públicas que está tudo bem, “ao mesmo tempo vai fazendo alterações à estrutura societária da empresa onde supostamente não tem intervenção desde que se tornou líder do PSD. O próprio primeiro-ministro passa a vida a provar que controla a empresa”, resumiu Fabian Figueiredo.
“Temos de saber porque é que o primeiro-ministro se sujeitou a essa situação”, prosseguiu o líder parlamentar do Bloco, insistindo que “é importante que o país saiba quais são os potenciais conflitos de interesse do primeiro-ministro”, o que só pode ser avaliado após a divulgação dos clientes não-permanentes da sua empresa Spinumviva.
Por outro lado, “é muito grave o primeiro-ministro continuar a não responder a perguntas de jornalistas e a recusar-se a fazer conferências de imprensa”, ao mesmo tempo que envia os seus ministros para as televisões para darem explicações sobre a sua vida empresarial. “O que assistimos este fim de semana foi algo inaudito” considerou Fabian Figueiredo a propósito desse desfile de ministros pelos canais de notícias, pois “o primeiro-ministro não se pode esconder atrás nos ministros”
”A vida empresarial de Luís Montenegro passou a ser o assunto central da vida política portuguesa pelo facto de haverem fundadas suspeitas de ter violado o estatuto de exclusividade a que o primeiro-ministro está obrigado, o que é gravíssimo”. E por isso o Bloco vai acompanhar a proposta de criação de uma comissão de inquérito anunciada pelo PS na segunda-feira, pois “estão todos os esclarecimentos por dar”, agora acrescidos pelas “novas dúvidas sobre obrigações declarativas, se [Luís Montenegro] declarou ou não todas as contas à ordem como é sua obrigação”, concluiu.