Telemóveis fora dos recreios escolares: petição ganha apoio, PS recusa

15 de junho 2023 - 17:12

A petição pública "Viver o recreio escolar sem ecrãs de smartphones" ultrapassou as 16 mil assinaturas e pode ser debatida no Parlamento. Mas o PS diz preferir manter tudo como está.

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criança com telemóvel
Foto Dick Thomas Johnson/Flickr

O fim do uso de telemóveis nas escolas para as crianças dos 5º e 6º anos do 2º ciclo é o tema de uma petição pública que depressa atingiu mais de 15 mil assinaturas e está assim em condições de vir a ser discutida na Assembleia da República.

A iniciativa de um grupo de pais apresenta-se "em prol da socialização das crianças nos recreios", para que elas "socializem, conversem cara-a-cara e brinquem" e para que diminuam "os casos de cyberbulling e contacto com conteúdos impróprios para a sua idade".

A petição destaca que na transição do 4º ano do 1º ciclo para o 5º ano do 2º ciclo, além de as crianças precisarem de brincar, há também a questão da integração num espaço escolar que é uma novidade para a maioria das crianças.

"É nesta fase de mudança que se reforçam e criam novos laços de amizade, tão importantes na criação de relações de confiança entre pares. Deve ser prioridade estimular e fomentar a interação verdadeira, cara-a-cara, para que as crianças possam demonstrar as suas emoções através de expressões faciais e não através de um ecrã", defende esta petição.

A proposta não é inovadora e já é praticada há anos por algumas escolas portuguesas. Na primeira hora os telemóveis são guardados por um professor num cacifo para cada turma e são devolvidos aos alunos no final da última hora.

Mas quando o tema for a debate no Parlamento, deve poder contar com a oposição do PS à generalização dos recreios sem telemóveis. Segundo afirmou à revista Sábado o deputado socialista Tiago Estêvão Martins, "as soluções para lidar com as tecnologias não devem guiar-se nem pelo proibicionismo generalizado nem pelo entusiasmo ingénuo", pelo que prefere que a matéria seja tratada "dentro da autonomia de cada escola". Ou seja, o PS pretende manter a situação tal como hoje existe.

O Bloco de Esquerda admite vir a acompanhar o debate da petição com uma proposta legislativa e a deputada Joana Mortágua manifestou simpatia quanto às preocupações que ela levanta. Se "em casa cabe às famílias decidirem" sobre o tempo que as crianças têm acesso aos ecrãs, "na escola pode haver critérios, baseados em estudos científicos, sobre o tempo de utilização do telemóvel", argumenta. No entanto, a concretização da lei tem de ter em conta as competências do Parlamento, do Governo e das escolas e a medida deve procurar ser consensual e bem entendida quer pelos pais quer pelos funcionários das escolas, acrescentou a deputada.