O Instituto Nacional de Estatística revelou esta segunda-feira os resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento de 2023, cujos valores se referem aos rendimentos do ano passado. De acordo com este documento, em 2022, 17% das pessoas que vivem em Portugal estavam em risco de pobreza. Isto significa uma subida de 0,6% relativamente ao ano anterior, o que corresponde a cerca de 81.000 pessoas.
Os dados permitem concluir que este aumento foi transversal a todos os grupos etários, apesar de ter sido entre os menores de idade onde mais cresceu (2,2%). No caso dos adultos em idade ativa aumentou 0,4%. No dos idosos 0,1%.
Em termos de género, o crescimento desta taxa afetou mais as mulheres (uma subida de 0,9%, de 16,8% em 2021 para 17,7%) do que os homens (um subida de 0,3 p.p., de 15,9% para 16,2%).
Recorde-se que a taxa de risco de pobreza correspondia, em 2022, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto) inferiores a 7.095 euros ao ano, ou seja 591 euros por mês.
O estudo do INE conclui ainda que a desigualdade na distribuição dos rendimentos aumentou em 2022, “principalmente comparando os 10% da população com maiores recursos e os 10% da população com menores recursos”. Este rácio subiu de 8,4 para 9,7. No que diz respeito ao rácio que compara o rendimento monetário líquido dos 20% da população com maiores recursos com o dos 20% da população com menores recursos houve um aumento 5,1 em 2021 para 5,6.
Outros dados da mesma análise estatística mostram que, em 2022, 22,7% da população que só tinha concluído o ensino básico “era pobre”, com um crescimento de 0,7% num ano. Valor considerado “significativamente superior” à proporção de 13,5% para a população que tinha terminado o ensino secundário ou pós-secundário e de 5,8% para a população que tinha concluído o ensino superior.
Mostra-se que a taxa de risco de pobreza para a população empregada diminuiu de 10,3% em 2021 para 10% em 2022 mas que, por outro lado, aumentou para a população desempregada, de 43,4% para 46,4%.
Outro dado importante diz respeito à diminuição do contributo das transferências sociais do Estado para a redução da pobreza. Estas, por doença e incapacidade, situação familiar, desemprego e inclusão social, tinham há dois anos tido um contributo de 5,1%. Este ano, a percentagem desce para 4,2%. Sem elas, mostra-se, o risco de pobreza atingiria o ano passado 41,8% das pessoas que vivem no país.
Já a taxa de pobreza ou exclusão social manteve-se em 20,1%, o que significa 2,1 milhões de pessoas nesta condição. Número que, apesar de tudo, se situa abaixo da média da União da Europeia que é de 21,6%.
A taxa de pobreza continua a ser maior nos Açores, com 26,1%, e na Madeira, com 24,8%, tendo subido na primeira destas Regiões Autónomas 1% e descido na segunda 1,1%. No continente aumentou na Área Metropolitana de Lisboa de 10,4% para 14,7%. Tendência diferente do resto do país: no Algarve registou-se uma descida de 22,1% em 2021 para 19,7% no ano passado; no Norte também se desceu de 20% para 18,8%; no Alentejo de 14,9% para 14,1%; no Centro manteve-se em 15,6%.
Por tipologia de agregado familiar, o risco de pobreza aumentou para os adultos sozinhos de 22,5% para 24,9% e para as famílias monoparentais de 28% para 31,2%. Em famílias com dois adultos e duas crianças o risco de pobreza passou de 12,8% para 13,9%.