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Submarinos: escutas revelam preocupações de Paulo Portas com confidencialidade das comunicações

Em conversa telefónica com o ex deputado do CDS-PP e antigo presidente da Comissão de Contrapartidas, Pedro Brandão Rodrigues, Paulo Portas revelou-se bastante preocupado com a confidencialidade das comunicações mantidas sobre os submarinos, adianta o Diário de Notícias.

As escutas telefónicas, que datam de 2009 e constam do processo recentemente arquivado de Bernardo Ayala, o advogado que representou o Estado no negócio dos submarinos, incluem a gravação de uma conversa entre a secretária de Pedro Brandão Rodrigues na Portugal Telecom e uma secretária da sede do CDS-PP, e também uma conversa entre o ex secretário geral do Ministério da Defesa e ex deputado do CDS-PP e o então ministro da defesa Paulo Portas.

No primeiro telefonema, a secretária do partido dá indicações de que Paulo Portas quereria falar com Brandão Rodrigues exclusivamente por telefone fixo. No telefonema em que surge o então ministro da Defesa, este dá instruções precisas de que todas as conversas sobre os submarinos deveriam ser levadas a cabo exclusivamente através de telefone fixo ou presencialmente.

Numa outra gravação, Pedro Brandão Rodrigues chega, inclusive, a comentar a alguém identificado como César sobre a insistência de Paulo Portas relativamente a como deveriam ser feitas as comunicações e avançou que o líder do CDS-PP lhe tinha pedido para trocar de telemóvel.

O Ministério Público (MP) teve ainda acesso, mediante as escutas telefónicas de que também foi alvo Bernardo Carnall, então secretário geral do Ministério da Defesa, a uma conversa entre este e Brandão Rodrigues, novamente sobre as preocupações de Portas, e outra com Fernando Serafino, ex diretor geral de Armamento.

O Diário de Notícias refere ainda que da consulta do processo de Bernardo Ayala foi ainda possível apurar que foram remetidas Cartas Rogatórias para a Suíça, onde são pedidas informações sobre os movimentos de uma conta bancária, para Inglaterra, na qual são solicitados dados sobre os movimentos da empresa ESCOM, do Grupo Espírito Santo, que assessorou a empresa ManFerrostaal, e para a Alemanha, com o pedido de envio dos documentos apreendidos nesta última empresa, responsável pela venda dos submarinos a Portugal.

O Ministério Público, que recentemente veio solicitar a colaboração do antigo ministro da Defesa, Paulo Portas, e do atual titular da pasta, Aguiar Branco, na investigação à compra dos submarinos, mantém uma investigação por corrupção e branqueamento de capitais e esperará pela resposta a estas três Cartas Rogatórias para determinar quem chamará para prestar declarações como testemunhas ou arguidos.

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