Stylos rouges: canetas vermelhas para além dos coletes amarelos

20 de janeiro 2019 - 22:01

O movimento surgiu na internet depois de Macron ter falado à França na tentativa de desmobilizar os coletes amarelos. Agora querem sair dos espaços virtuais e ocupar a rua para defender a educação. Convocaram uma manifestação para dia 2 de fevereiro.

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A 10 de dezembro ouviram Emmanuel Macron a dirigir-se a França para apaziguar os ânimos dos coletes amarelos. Só que a alocução presidencial teve neles o efeito inverso. Cólera foi uma das palavras mais utilizadas nas redes sociais nos dias seguintes. Os professores e educadores tinham mais uma vez sido esquecidos. Dois dias depois nasciam os canetas vermelhas.

Definem-se como um “movimento cidadão que tem por objetivo fazer ouvir as reivindicações do pessoal educativo e melhorar a imagem da educação.” Dizem não querer substituir-se aos sindicatos mas deixam claro que não se deixarão vergar, que usam meios diferentes e que querem unificar a totalidade do “corpo educativo”.

Por outro lado, marcam também as diferenças para com os coletes amarelos: têm reivindicações próprias, são um “movimento profissional” e não um “movimento cidadão” e recusam-se a “engrossar as fileiras dos coletes amarelos”, apesar de poderem existir pessoas que participem nos dois movimentos ao mesmo tempo.

Neste momento são já mais de 65 mil no grupo de facebook que deu início ao movimento. Na internet, lançaram uma petição “pela escola de amanhã”e por um “serviço público de educação de qualidade” contra a deterioração do sistema educativo e as sucessivas reformas “sem nenhuma visão da escola que desejamos para as nossas crianças”.

E têm um manifesto provisório mais detalhado no qual exigem limitação do número de alunos por turma, fim dos cortes no pessoal educativo e reconhecimento do trabalho invisível dos professores entre muitas outras reivindicações.

Os debates que o movimento causou parecem mesmo ter ultrapassado as tradicionais divisões de carreira por nível de ensino, de funções, de carreira. Cada decisão é votada online. E da combatividade que têm mostrado na internet, querem passar agora para a rua em nome próprio. Um pequeno grupo tinha já tentado interpelar Macron em Créteil aquando de uma inauguração. A seguir a esta ação organizaram uma Assembleia Geral deste grupo local com uma centena de pessoas.

Agora convocaram uma manifestação para sábado dia 2 de fevereiro em frente ao ministério da educação.